F1: Animada, Williams quer voltar definitivamente ao topo

O FW37 (Getty Images)
O FW37 (Getty Images)

Quando entrou na pista no GP da Austrália do ano passado, ainda haviam poucos que acreditavam que a velha Williams voltaria a viver bons tempos depois de sequentes temporadas sombrias no pelotão intermediário. Ao final do campeonato de 2014, os críticos dobraram a língua e hoje, o time de Groove parece ter esquecido do passado. Com grandes perspectivas, a equipe da pinta que vem para 2015 querendo não apenas incomodar, mas voltar as vitórias e, se a briga for boa, ao título mundial.

Os primeiros testes em Jerez parecem pouco dizer sobre o que a Williams prepara para a temporada deste ano. Apesar de não fazer tempos assombrosos e de assistir o evoluir do motor Ferrari, nada parece abater o ânimo dos membros e pilotos do team, que apostam alto no novo FW37. “Eu gosto de ter mais esperança que expectativa. Mas ganhar corridas é nossa meta. Terminamos com o terceiro lugar no campeonato ano passado, algo grande para nós, mas nossa meta para esse ano é melhorar. Queremos essas vitórias e Felipe e Valtteri no alto do pódio”, afirma a “team principal” da equipe, Claire Williams.

Claire Williams: Puxou do pai e fundador do team, Frank, a esperança de bons tempos (Getty Images)
Claire Williams: Puxou do pai e fundador do team, Frank, a esperança de bons tempos (Getty Images)

Claire tem a quem puxar quando o motivo é esperança. Foi com esta palavra mágica que há 46 anos Frank Williams, pai de Claire, começou uma empreitada que nem ele poderia imaginar onde iria chegar. A equipe começou minuscula, praticamente condenada ao fracasso. Frank, sonhador como era sempre, não se arrependeu de vender cronômetros para pagar salários e nem mesmo de fechar negócios dentro de cabines telefônicas. Com muito tino e um empreendedorismo invejável, fez do pequeno time uma escuderia de respeito dentro da F1, com nove títulos de construtores e sete de pilotos.

O brasileiro José Carlos Pace, nos tempos das vacas magras de Frank Williams, em 1972 (Reprodução)
O brasileiro José Carlos Pace estreou na F1 pela equipe em 1972. Tempos das vacas magras que não tiravam a motivação de Frank Williams. (Reprodução)

Mesmo não estando tanto tempo longe das vitórias (a última foi com Pastor Maldonado, no GP da Espanha de 2012), a Williams corre em busca da constância perdida. O ano de 2014 foi excepcional para as aspirações da equipe, terminando em terceiro lugar no mundial de construtores e só pecando pela falta de vitórias. No entanto, acredita-se que o time de Groove é o mais apto a combater o domínio das Mercedes.
Esperança nos pilotos

Na guiada dos carros, a Williams conta com uma dupla imponente, que mistura novidade a experiencia e garante por si só o desenvolvimento pleno do carro. A ambição de novato de Valtteri Bottas contrasta com a sabedoria do brasileiro Felipe Massa, que incia 2015 ainda mais empolgado do que no ano anterior, agora bem mais acomodado dentro da casa que o acolhera após os difíceis últimos tempos de Ferrari.

Bottas: Pouca experiencia não impede o finlandês de mostrar serviço e sonhar alto (Getty Images)
Bottas: Pouca experiencia não impede o finlandês de mostrar serviço e sonhar alto (Getty Images)

Bottas segue a linhagem dos bons pilotos produzidos na Escandinávia. É rápido, cosntante, meticuloso, mas ainda peca por uma certa falta de experiencia. No segundo ano de F1, o sorridente finlandês sonha alto, quer vencer, contribuir ao máximo com a equipe e deixar marca assim como já deixaram nomes como Keke Rosberg, Mika Rakkinen e Kimi Raikkonen. “Podemos lutar por poles e espero que também por vitórias. Eu posso sentir isso. Nós melhoramos desde o GP de Abu Dhabi. Conseguimos um saldo qualitativo muito grande. No fim das contas, ainda sei que não tiramos o máximo que podemos oferecer”, afirma.

Massa: Com motivação alta, a meta do ano é simples. Voltar a vencer (Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Com a motivação alta, Massa tem uma meta apenas para o ano: Voltar a vencer (Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

Do outro lado, está a experiencia de Felipe Massa. O brasileiro é, nada menos, do que o sexto brasileiro a passar pela Williams. A equipe de Frank tem contado há muitos anos com a habilidade de pilotos tupiniquins e os conhece muito bem. Dos três campeões mundiais do país, apenas Emerson Fittipaldi não guiou pela equipe. Nelson Piquet esteve no team por dois anos (1986 e 1987), conquistando o tricampeonato dentro do team, mesmo a contra-vontade dos puritanos ingleses favoráveis a Mansell. Ayrton Senna poderia ser o segundo brasileiro campeão com Frank, mas um muro em San Marino impediu este feito.

Na vanguarda da F1 e com um respeitável vice-campeonato em 2008, Massa sente falta de vencer. Fez uma temporada de “adaptação” em 2014 e viveu altos e baixos, mas não tão comprometedores quanto os que vivera nos últimos anos de Ferrari. Sabendo do potencial do carro, o brasileiro não titubeia quando enumera a meta máxima para este ano: Voltar a vencer. “O passo à frente, sem dúvida, é vencer. Até porque a gente tem que pensar nisso. A gente sabe que, quando você chega lá em cima, as coisas começam a ser sempre mais difíceis. A gente não está brigando com as equipes que brigava no ano passado. Está brigando com equipes que, para você dar o passo à frente para vencer, tem que fazer o trabalho perfeito”, diz

Nelson Piquet campeão em 1987, um dos sete brasileiros a guiar para a Williams (Getty Images)
Nelson Piquet campeão em 1987, um dos sete brasileiros a guiar para a Williams (Getty Images)

Com o astral no alto, a Williams pretende iniciar a nova caminhada rumo ao topo (novamente) já na Austrália, contando com muito mais do que a tradicional competência de gestão e a habilidade dos pilotos, mas também com a infalível esperança dos Williams (Claire e Frank). Se depender da auto-estima elevada, veremos o time de Groove novamente escrevendo história na F1, para o bem, também, de Massa e do Brasil.

Testes em Barcelona

E o FAROL avisa. A F1 volta aos trabalhos da pré-temporada na próxima quinta-feira (19/02), com a primeira sessão de testes no Circuito da Catalunya, em Barcelona, Espanha. E o amigo fã da categoria mais famosa do mundo do automobilismo não perde nada aqui no FAROL, com mais uma cobertura especial com os principais acontecimentos.

E neste ano, tem a cobertura GP a GP da temporada 2015 da F1, começando já a partir de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2014. A largada será às 1h30 (horário de Brasilia) no autódromo de Albert Park, em Melbourne. Além disso, os assuntos mais importantes da temporada e as histórias mais curiosas também serão destaque.

Fique junto e acelere conosco na F1 2015.

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