O prego continua enferrujado

Durante os anos a terra faz aquela velha volta ao redor de si, todo ano este mesmo planeta faz aquela mesma velha volta ao redor do sol e durante todo o tempo ela fica confortavelmente sob aquele seu campo gravitacional que quase todos os físicos conhecem.

Nada muda, ela não cresce e não se expande (imagine a confusão que isso iria dar) mas o universo não, ele está se expandindo, crescendo e levantando um monte de dúvidas e questionamentos que até então eram inquestionáveis.

Nós somos muito parecidos com a terra, somos verdadeiros muros de teimosias inquebráveis. As construções dos prédios feitos de concreto para o nosso habitat são as vezes ou quase sempre, mais flexíveis que a mente humana. Os prédios possuem aquela flexibilidade que os fazem serem demolidos, reconstruídos ou reformados, enquanto isso a gente continua com opiniões tão sólidas que nada penetra, os questionamentos são expulsos com a mesma ferocidade que sentimentos não nobres são expulsos quando começam a aparecer.

A mente humana está com as mesmas velhas respostas para as velhas perguntas como os atlas emponherados na casa dos avós estão envelhecendo esperando. A única forma de derrubarem os muros são com o esquecimento da velhice que são trazidos pelos ponteiros apressados do relógio barato comprado na loja da esquina. Enquanto o universo se expande e cria perguntas, a gente fica na mesma, como a terra fica, esperando sua auto destruição ou a explosão do sol.

Formado em Direito, escreveu os livros 'Federalismo Brasileiro' e 'Sede de Liberdade'. Escreve sobre reflexos do cotidiano.

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