F1: Hamilton passeia e Massa volta ao pódio na Itália

Hamilton, absoluto em Monza, praticamente encaminhou o tri, contando ainda com a inanição da FIA com relação a pressão dos pneus da Mercedes (AP)
Hamilton, absoluto em Monza, praticamente encaminhou o tri, contando ainda com a inanição da FIA com relação a pressão dos pneus da Mercedes (AP)

Foi um passeio perfeito no templo de Monza, mas que terminou em controvérsia e polêmica, muito embora o merecimento não lhe é deixado de ter. Lewis Hamilton
literalmente engatilhou o tricampeonato na F1 ao vencer incontestavelmente o GP
da Itália neste último domingo (06/09). A vitória é a 40ª da carreira do inglês, que
se aproxima do número de vitórias do ídolo de infância, o brasileiro Ayrton Senna,
que tem 41 tentos. Sebastian Vettel completou em segundo a primeira corrida pela
Ferrari dentro da casa da equipe de Maranello, e Felipe Massa foi premiado com a
sorte para terminar em terceiro, regressando ao pódio pela segunda vez em 2015.

No entanto, por algumas horas, a Mercedes teve que prender a respiração, tudo
por conta de uma ameaça de punição. Tudo isto porque o carro de Hamilton andou
com a pressão dos pneus abaixo do exigido pela Pirelli, a fornecedora oficial da
categoria, para o GP. Mas a FIA de ombros e confirmou o resultado sem
nenhuma sanção a equipe prateada e o primeiro piloto. Uma prova de falta de
pulso firme e autoridade da principal instituição do esporte a motor no mundo, que
não usa de critérios concretos para estabelecer (ou não) as punições, denegrindo
a seriedade do esporte.

Massa (de branco) contou com a sorte para subir ao pódio em Monza. Vettel teve um gosto a mais de celebrar junto dos tifosi pela primeira vez (AP)
Massa (de branco) contou com a sorte para subir ao pódio em Monza. Vettel teve um gosto a mais de celebrar junto dos tifosi pela primeira vez (AP)

Fora a frouxidão da FIA, o GP da Itália também não escapou de ser uma prova
monótona e sem emoções concretas diante da superioridade de Hamilton na pista
de Monza. Salva-se no entanto a boa atuação de Kimi Raikkonen, que teve de se
recuperar de uma péssima largada (caiu para último e completou em quinto), e a
prova de Felipe Massa. Largando em quinto, o brasileiro pulou bem para terceiro
na falha de Raikkonen, mas um pit-stop desastroso da Williams (outro na temporada,
por sinal), minou as chances de mais um pódio para o time inglês.

No entanto, a sorte, que de vez em quando prega peças em Massa, resolveu
sorrir-lhe a duas voltas do fim, quando o Mercedes de Nico Rosberg parou com
problemas de motor. O alemão da equipe prateada voltou a demonstrar impotência
diante do companheiro de time e não fez muito durante a corrida, especialmente
por causa do motor do carro, mais velho e rodado que o de Hamilton. Voltando a
Massa, o brasileiro ainda teve de suportar por duas voltas o assédio do
companheiro, Valtteri Bottas, que chegou colado em Felipe ao fim da prova.

Outra vez, Rosberg mostrou impotência na pista. Grande parte por conta do motor, que estourou a duas voltas do fim (TV)
Outra vez, Rosberg mostrou impotência na pista. Grande parte por conta do motor, que estourou a duas voltas do fim (TV)

Com a vitória, Hamilton disparou na liderança, com uma diferença praticamente
irreversível de 53 pontos para Nico Rosberg. Felipe Massa pulou para a quarta
posição do campeonato, a frente de Kimi Raikkonen e do companheiro, Valtteri
Bottas, e atras de Sebastian Vettel por 81 pontos de desvantagem. O alemão teve
muito o que celebrar, foi a primeira corrida de Vettel em Monza pela Ferrari, e o segundo lugar no GP o fez sentir, pela primeira vez, o calor da recepção dos tifosi, os
loucos e apaixonados torcedores da casa de Maranello.

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Sebastian Vettel (Ferrari)
3 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
4 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
5 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
6 – Sergio Perez (Force India-Mercedes)
7 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
8 – Daniel Riccardo (Red Bull-Renault)
9 – Marcus Ericsson (Sauber-Ferrari)
10 – Daniil Kvyat (Red Bull-Renault)
13 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Lewis Hamilton (252)
2 – Nico Rosberg (199)
3 – Sebastian Vettel (178)
4 – Felipe Massa (97)
5 – Kimi Raikkonen (92)
6 – Valtteri Bottas (91)
13 – Felipe Nasr (16)

Tempo de decisões

O GP da Itália também foi momento para algumas equipes anunciarem mudanças
e confirmar pilotos para 2016. Massa e Bottas tiveram, oficialmente, os destinos
selados para mais uma temporada na Williams, a qual espera-se muito para o
próximo ano. A Force India, em bom momento na temporada, fechou
definitivamente com Nico Hulkenberg para 2016 e espera ainda definição de
Sergio Perez.

Red Bull já confirmou com Riccardo e Kyvat para 2016. Agora, procura um motor para suceder o Renault. A Ferrari pode ser a fornecedora (Motorsport)
Red Bull já confirmou com Riccardo e Kyvat para 2016. Agora, procura um motor para suceder o Renault. A Ferrari pode ser a fornecedora (Motorsport)

Outras mudanças, se não são boatos, são possibilidades em aberto. Romain
Grosjean, sem muita paciência sobre o destino da Lotus em 2016, poderá ser um
dos pilotos a integrar a novíssima e genuinamente americana equipe Haas para a
próxima temporada. Já a Red Bull, que desvinculou-se de vez da Renault, quase conseguiu os propulsores Mercedes para a próxima temporada. No entanto, a perspectiva de parceria com os alemães desmoronou e, agora, está correndo atrás da (pasmem) Ferrari para ter os propulsores italianos nos bólidos do próximo ano.

 

Luís Roberto: Bola fora

Quem assistiu a corrida pela Globo (grande maioria), teve de aguentar a
alucinadamente forçada narração de Luis Roberto durante as 53 voltas a fio. Como
tem sido em outras transmissões monótonas da F1, o narrador apelou pra todo
tipo de frases prontas e não deu desconto em momento algum com o exacerbado
ufanismo pelo resultado de Felipe Massa (que foi bom, por sinal, mas não para
tanto).

No fim da prova, quem desligou a TV não perdeu nada, apenas poupou os ouvidos
da gritaria e forçação de barra de Luís Roberto.

 

Michelin quer voltar

E você se recorda da Michelin? Pois é, a fábrica francesa de pneus está disposta
a ir a luta contra a Pirelli para se tornar a fornecedora oficial da categoria para
2017 até 2019. Seria a terceira volta do Bibendum a categoria. A primeira aparição
foi no GP da Inglaterra de 1977, no estreante monoposto da Renault, pilotado por
Jean-Pierre Jabouille. O fim desta primeira fase seria em Portugal, em 1984, onde
a fabricante de Clermont-Ferrand equipava, além da Renault, equipes como
Ferrari, McLaren e a Brabham.

Depois do incidente nos EUA, em 2006, Michelin pretente de redimir e voltar a fornecer pneus entre 2017 e 2019, no lugar da Pirelli (Michelin)
Depois do incidente nos EUA, em 2006, Michelin pretende se redimir e voltar a fornecer pneus entre 2017 e 2019, no lugar da Pirelli (Michelin)

A segunda fase, no entanto, foi a mais tenebrosa. A Michelin retornou em 2001,
dividindo cena com a Bridgestone. No entanto, o incidente no GP dos EUA de
2006, onde apenas os seis carros das três equipes com compostos da marca
japonesa largaram em Indianápolis.

Os outros times calçados com a borracha francesa recolheram ainda na volta de apresentação depois de constatados, durante os treinos, a deterioração excessiva dos pneus, sobretudo na parte do oval americano. O GP do Brasil daquele ano foi a última corrida da Michelin na F1 até então. Uma falha que, segundo a fabricante francesa, não deve pesar na hora da escolha por parte da categoria.

A F1 volta a se encontrar na noite (manhã no Brasil) de 20 de setembro, onde o travado e técnico circuito de Marina Bay, em Cingapura, recebe os 20 bólidos para o GP de Cingapura, talvez umas das mais belas corridas da categoria nos tempos
modernos.

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