23º Batalhão de Infantaria – 80 anos – parte I

23º Batalhão de Infantaria “Batalhão Jacinto Machado De Bittencourt” – 80 anos. Ao mencionar a presença do Exército Brasileiro no Vale do Itajaí, rememoramos aquele chuvoso 11 de abril de 1939 quando o 32º BATALHÃO DE CAÇADORES – O VANGUARDEIRO chegou a Blumenau.

No Boletim da 1ª Região Militar no Rio de Janeiro, da qual se desligou o 32º Batalhão de Caçadores, a partida para Blumenau aconteceu em 2 de abril de 1939. Foi quando o batalhão iniciou o seu deslocamento da cidade de Valença, no interior do estado do Rio do Janeiro, por via férrea, até a capital federal, Rio de Janeiro. Naquela cidade, embarcou com destino à cidade de Itajaí-SC, a bordo do navio Murtinho, do Loyd Brasileiro, chegando no dia 9 de abril de 1939 ao porto de Itajaí.

Dois dias depois, partiu, via terrestre, de Itajaí com destino à cidade de Blumenau, onde chegou às 11:30h, recebido com imponente festa popular e autoridades locais.

32º BATALHÃO DE CAÇADORES - O VANGUARDEIRO chega a Blumenau em 11 de abril de 1939. - foto do Arquivo Histórico de Blumenau - foto do AHJFS
32º BATALHÃO DE CAÇADORES – O VANGUARDEIRO chega a Blumenau em 11 de abril de 1939. – foto do Arquivo Histórico de Blumenau – foto do AHJFS

Naquele chuvoso 11 de abril de 1939, 220 oficiais e soldados adentraram a cidade, marchando pela principal via, sob festividades preparadas pelo Capitão Emanuel Morais. Na chegada a Blumenau, estavam presentes o Exmo. Sr. General Raimundo Sampaio, então Comandante da Região Militar, sediada em Curitiba-PR, juntamente com o General Meira de Vasconcelos, Major Nilo Augusto Guerreiro e Major Floriano Lima Brayner, primeiro comandante do Batalhão.

Naquela mesma data, o Batalhão acantonou na Sociedade Ginástica, atual Colégio Estadual Pedro II e na Sociedade dos Atiradores, hoje Tabajara Tênis Clube.

A Missão do 32º BATALHÃO DE CAÇADORES tinha claro e definido propósito: “converter e tornar dignos de sua pátria, brasileiros que, por nossa própria inação e incúria, se iam tornando estrangeiros dentro da nossa própria pátria”. Importante mencionar que foi em Santa Catarina, na cidade de Timbó, em 1928, que foi fundada a seção brasileira do Partido Nazista.

“ESTRANGEIROS DENTRO DE NOSSA PRÓPRIA PÁTRIA”: Grupo hitlerista em Blumenau. “Converter e tornar dignos de sua pátria, brasileiros que, por nossa própria inação e incúria, se iam tornando estrangeiros dentro da nossa própria pátria” foi propósito claro e definido da Missão do 32º BATALHÃO DE CAÇADORES, o VANGUARDEIRO - foto da Delegacia da Ordem Política e Social. Florianópolis –SC. LARA RIBAS, Antonio de O punhal nazista no coração do Brasil. Florianópolis – Imprensa Oficial, 1943.
“ESTRANGEIROS DENTRO DE NOSSA PRÓPRIA PÁTRIA”: Grupo hitlerista em Blumenau. “Converter e tornar dignos de sua pátria, brasileiros que, por nossa própria inação e incúria, se iam tornando estrangeiros dentro da nossa própria pátria” foi propósito claro e definido da Missão do 32º BATALHÃO DE CAÇADORES, o VANGUARDEIRO – foto da Delegacia da Ordem Política e Social. Florianópolis –SC. LARA RIBAS, Antonio de O punhal nazista no coração do Brasil. Florianópolis – Imprensa Oficial, 1943.

Em 2 de julho de 1939, o Batalhão iniciou a sua mudança para os pavilhões concluídos de seu novo quartel, situado no Bairro do Garcia. A partir de sua criação, como 32º Batalhão de Caçadores, a unidade vem cumprindo sua missão, seja na defesa da Pátria, na manutenção dos Poderes Constitucionais, na Garantia da Lei e da Ordem, bem como exercendo papel fundamental no apoio à Defesa Civil nas áreas afetadas pelas constantes enchentes e escorregamentos do Vale do Itajaí.

32º BATALHÃO DE CAÇADORES - O VANGUARDEIRO: a 2 de julho de 1939, o Batalhão iniciou a sua mudança para os pavilhões concluídos de seu novo quartel, situado no Bairro do Garcia - foto do Arquivo Histórico de Blumenau – AHJFS
32º BATALHÃO DE CAÇADORES – O VANGUARDEIRO: a 2 de julho de 1939, o Batalhão iniciou a sua mudança para os pavilhões concluídos de seu novo quartel, situado no Bairro do Garcia – foto do Arquivo Histórico de Blumenau – AHJFS

FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

O 32º Batalhão de Caçadores participou de importantes acontecimentos da vida nacional, destacando-se a contribuição com contingente de 538 homens para a formação da Força Expedicionária Brasileira, sendo que 6 (seis) de seus valorosos soldados tombaram no campo de batalha. No norte do território italiano, souberam com bravura, patriotismo, determinação e capacidade conquistar a democracia e a liberdade.

A COBRA FUMOU: 32º Batalhão de Caçadores, o Vanguardeiro rumo à Itália – foto do Arquivo Histórico de Blumenau – AHJFS

O Brasil declarara guerra ao Eixo em 22 de agosto – mas o decreto que oficializou o Estado de Guerra só foi publicado no dia 31 de agosto 1942 – depois de ter vários de seus navios torpedeados e afundados pelos alemães -, mas a decisão de enviar combatentes foi determinada somente em 9 de agosto de 1943. Desde junho desse mesmo ano, no entanto, oficiais superiores vinham sendo treinados em cursos de Estado-Maior de Emergência nos Estados Unidos.

Também, em consequência da 2ª Guerra Mundial, o Batalhão cumpriu a nobre missão de segurança no litoral de Santa Catarina, com diversas frações de seu efetivo mobilizado para aquela missão.

O Marechal Floriano Lima Brayner, primeiro comandante do 32º Batalhão de Caçadores de Blumenau, quando Coronel, chefiou o Estado-Maior na Tomada de Monte Castelo com o Marechal Mascarenhas de Moraes.

ARMAS CAPTURADAS – Primeiro comandante do 32° Batalhão de Caçadores, Tenente Coronel Floriano de Lima Brayner e outros integrantes da FEB com armas capturadas de soldados alemães em Monte Castelo, Itália. Abril de 1945 - foto da FGV.
ARMAS CAPTURADAS – Primeiro comandante do 32° Batalhão de Caçadores, Tenente Coronel Floriano de Lima Brayner e outros integrantes da FEB com armas capturadas de soldados alemães em Monte Castelo, Itália. Abril de 1945 – foto da FGV.

A Segunda Guerra teve alcance mundial, atingindo a economia de todos os países, inclusive aqueles considerados neutros, como foi o caso da Suíça (cuja neutralidade interessava a ambas coalizões). Toda história da Segunda Guerra Mundial é, portanto, a história do mundo entre 1939 e 1945.

MEMORIAL DOS EXPEDICIONÁRIOS - TIMBÓ/SC: Ítalos e teuto-brasileiros residentes em Rio dos Cedros, Timbó, Pomerode e região, atendendo a convocação do Exército Brasileiro a fim de defender a Pátria no combate ao regime nazi-fascista, embarcaram para a guerra em 22 de setembro de 1944 - foto da Prefeitura Municipal de Timbó
MEMORIAL DOS EXPEDICIONÁRIOS – TIMBÓ/SC: Ítalos e teuto-brasileiros residentes em Rio dos Cedros, Timbó, Pomerode e região, atendendo a convocação do Exército Brasileiro a fim de defender a Pátria no combate ao regime nazi-fascista, embarcaram para a guerra em 22 de setembro de 1944 – foto da Prefeitura Municipal de Timbó

Uma guerra que matou mais de 50 milhões de pessoas, destruiu a herança cultural da Europa, devastou sua economia, perverteu sua política e aviltou a base moral da civilização humana. A barbárie pode conviver facilmente com a democracia mais desenvolvida e esta, de modo algum, se preserva na selvageria. O nazismo se alinhou nas falhas da democracia.

Hitler proveio da Alemanha democrática da década de 1930. É preciso lembrar às nações civilizadas que a vitória das ideias democráticas não as preserva dos recuos, e a que a razão democrática não é o credo de toda a humanidade.

Continua

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