A propósito, o nazismo é uma merda

Esta semana saiu notícia de que um cidadão de Pomerode tinha uma suástica estampada no fundo de sua piscina. Os dias passaram e a notícia, como uma bola de neve a descer a colina de um desenho animado, foi se tornando maior e pior: dito cidadão era conhecido por colecionar memorabilia nazista; dito cidadão havia batizado seu filho de Adolf; dito cidadão era professor de História. Esses dois últimos itens da lista de catástrofes são os que considero mais graves, mais do que a suástica na piscina (ainda que uma suástica em qualquer lugar seja sempre grave), e logo explico o porquê.

Piscina com suástica (Polícia Civil)
Piscina com suástica (Polícia Civil)

Comentários nasceram em todas as partes da internet em defesa do cidadão; ele estava em sua casa, um lugar privado, e era seu direito colocar qualquer coisa que quisesse na piscina. Era seu direito chamar sua prole do nome que quisesse. Mas aí entrava uma coisa esquisita: o pessoal que pulava para defender o dito cidadão das acusações geralmente estava também no primeiro lugar da fila para começar a falar de comunismo, e de como comunismo era o mal do mundo, e sobre como comunista é raça que precisava ser eliminada.

Passei grande parte da minha adolescência vendo pessoas da minha idade com aquela camiseta já quase tradicionalmente capitalista do Che Guevara. É mais fácil perdoar ignorância nos jovens, especialmente se os jovens ainda não conhecem direito a História. Recordo-me perfeitamente de um professor cubano que tive, que ficava sempre pasmo com a excitação que alguns de seus alunos comunistas, adolescentes de 17, 18 anos, sem nunca terem pisado em um país como Cuba, manifestavam durante as aulas. “As coisas não são bem assim,” ele dizia. E as coisas nunca são bem assim. Existem relatos demais a respeito de como cubanos viveram e morreram em tempos de governos tiranos, os dois, aquele que antecedeu Fidel e aquele que Fidel instaurou, para saber que as coisas nunca são bem assim. Há relatos demais de pessoas que escapam da Coreia do Norte à beira da morte, famintas, com suas histórias de tristezas e perdas para saber que as coisas nunca são assim. São ditaduras-fortalezas. Entra-se para se ver o que parece bonito, esconde-se o que é ruim. Nascido nelas, não se escapa tão fácil. Em tempos de União Soviética, as pessoas se canibalizavam. As coisas nunca são bem assim.

Eu falava do que achava mais grave a respeito do dito cidadão da suástica. Ele ser um professor de História é o que mais me assombra: porque a Alemanha nazista, ao contrário do mundo alternativo que é a Coreia do Norte, é muito bem documentada; sabe-se o que Hitler fez e sabe-se a quantidade de pessoas que ele matou. Sabe-se dos campos de concentração, sabe-se do Holocausto de formas muito dolorosas, através da voz de quem sobreviveu, de quem não sobreviveu, através de trezentos filmes ganhadores de Oscar e documentários e livros de História que dito cidadão deve ter lido. Sabe-se do terror. Não é necessário dizer, sobre o nazismo, que as coisas não eram bem assim. Sabemos como eram as coisas.

Portanto, não entendo de onde surgem desculpas para se defender um professor de História, um homem que deveria entender do que fala, e que batiza seu filho em homenagem a um dos maiores genocidas que já tivemos; é difícil entender como podemos perdoar o homem que estampa em sua piscina o símbolo que significou a morte de tantos, que desfez famílias, que expulsou milhares de suas terras. Não é inocência; não é questão de privacidade. Dito cidadão sabe bem o que fez, o que só torna tudo mais assustador. Saber que gente como ele ainda anda por aí, e especialmente aqui no Sul, não é para ser encarado como coisa pequena.

É difícil perdoar qualquer pessoa que, em 2014, ainda tenha pretensão de defender o nazismo: porque o nazismo, amigos, é uma merda.

Um comentário

  1. Concordo com sua opinião tanto ao que tange o comunismo quanto ao nazismo. E também fiquei bastante assustado em saber que era professor de história…..Fiquei mais triste ainda em saber que muitos o defendiam……Defendiam um genocida.

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