Preparem o estômago para a Copa

Perguntei a um consultor de marketing, que há anos trabalha para políticos, como será a próxima campanha eleitoral. A pergunta martelava na minha cabeça, pois passamos um ano com manifestações e violência nas ruas, e com a aproximação da Copa há um suspense no ar. O marqueteiro pensou, pensou e me olhou sem aquela expressão de vidente, típica dos profissionais da área, e disse que era cedo para qualquer prognóstico. Nem pesquisas podiam ser levadas em consideração a esta altura, disse ele. Disso eu sabia, eu queria era novidades.

Não é preciso ser técnico em pesquisas eleitorais para saber que elas só mostram tendências, e tendências mudam da noite para o dia, especialmente entre pessoas pouco interessadas, sujeitas mais às influências de um penteado que à exposição de ideias. As campanhas, não há como negar, são um embuste, uma verdadeira miscelânea de asneiras, inverdades e técnicas de persuasão, em que às vezes o candidato nem sabe o que está dizendo, então, como será depois de tudo o que está acontecendo?

Jérôme Valcke (AFP Photo/Fabrice Coffrini)
Jérôme Valcke (AFP Photo/Fabrice Coffrini)

 

Voltando ao marqueteiro, acho que para ele o clima está ótimo, tem muita confusão na parada, que será explorada. Como ninguém leva muito a sério o que é dito pelos candidatos, tanto faz o que eles ruminam. As equipes estarão mais preocupadas com o traje e o sorriso que vão estampar na cara deles, para completar esse deboche que são nossas campanhas.

Ingleses arrepiados

As paisagens do Rio geralmente encantam os turistas, mas não são elas que estão deixando os integrantes da Federação Inglesa de Futebol de boca aberta. Segundo o site UOL, os ingleses estão “surtando” com a violência da cidade. A pergunta que fazem a todo o momento é se haverá segurança para a sua delegação, que se instalará num hotel próximo à favela da Rocinha, onde ocorreram uns tiroteios básicos semana passada, coisa que a população local está careca de ouvir. A segurança estará reforçada, mas nada que seja feito para garantir a tranquilidade vai amenizar a impressão ruim que todos os incidentes já deixaram. O pior é a constatação de que no Brasil não há mais lugar onde se possa viver em paz. Os loucos, insensatos e trapaceiros são igual a erva daninha, estão por toda parte.

País do atraso

Passada a novela que tem sido a preparação para a Copa, com atraso no cronograma das obras dos estádios e de mobilidade urbana, vem mais chumbo grosso. O australiano John Coates, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse na semana passada que os preparativos para as Olimpíadas de 2016 no Rio são os piores que ele já viu na história dos jogos. E olha que o homem está envolvido com jogos olímpicos há 40 anos, segundo matéria publicada no site Terra.

Coates constatou que a situação é crítica e que o COI foi obrigado a tomar medidas “sem precedentes” para garantir as Olimpíadas. Uma delas foi enviar um diretor para ficar no Rio, cobrando. Por sua vez, o prefeito Eduardo Paes, com aquela calma, disse que tudo está dentro do prazo. Balela, a gente sabe que não está. É possível que nem o cronograma tenha ficado pronto. Foi a mesma coisa com o Maracanã em 1950. Aliás, o Maracanã nunca acabou de ser construído. Toda aquela estrutura gigantesca ficou à meia boca até à reforma para o Pan-Americano de 2007. Estamos mal na fita mesmo. Primeiro foi o secretário geral da Fifa, Jorome Valcke, dizendo que o Brasil precisava levar um pontapé no traseiro para acelerar os preparativos da Copa. Agora é esse tal de Coates. Será que ninguém nos leva a sério? Hahaha.

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