O marxismo como instrumento de luta no Sintraseb

Há muito tempo a turma que está no “poder” do Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau (Sintraseb) exerce o mando através de uma sucessão de conflitos artificialmente induzidos. Para o sindicato, liderar é brigar e polemizar.

Passados mais de 30 dias de greve, o sindicato disse que não foram atendidos nenhum dos seis itens apresentados na pauta de reivindicação. Ora se observarmos, dois itens – a Revisão da Tabela Salarial e Plano de Cargos e a Carreira e Salários da área de Saúde, são temas factíveis de resolução pela administração pública, mas primeiro é preciso retornar as atividades. Quanto aos outros itens: não desconto dos dias parados, retirada do processo de criminalização do movimento de greve e retomada do Comitê de Negociação Permanente imediatamente, são itens criados artificialmente pelo sindicato nestes 30 dias. Isto não é pauta de reivindicação.

Típica atitude socialista: eles contra nós (Jaime Batista)
Típica atitude socialista: eles contra nós (Jaime Batista)

Assim a dinâmica do sindicato sempre é a mesma: o dirigente acena com algum conflito e, em seguida coloca todo o aparato de propaganda a ofender seus adversários – em vez de buscar soluções.

Por fim leva os resignados servidores às ruas para manifestações em massa contra o inimigo da vez, isto é – o prefeito da vez. Agitando bandeirolas e gritando em coro lemas revolucionários ou utilizando-se de amarras, com a certeza, um tanto ingênua, de que esses exercícios servem para estimular a emoção revolucionária.

Essa ideia de impor o marxismo como instrumento de lutas não resulta em objetivos concretos e verdadeiros. Essa ideologia ultrapassada, é desprezada desde 1989 no continente europeu. Por que aqui, deveria se impor?

Apontar responsabilidades sempre foi uma especialidade da classe sindical. A culpa dos males foi sempre atribuída à “herança prejudicial” deixada pelo prefeito anterior. Em nenhum momento, nos últimos 18 anos, houve uma tentativa real em contribuir para as soluções dos problemas da administração pública.

Reunir e conduzir a massa, na pregação do repúdio as propostas apresentadas, como um amuleto contra a razão, é o destino daqueles que transformam tudo, numa bandeira de lutas.

É preciso observar que um pequeno grupo encontra terreno fértil na democracia, que permite pressionar pelos seus interesses revolucionários, ao passo que contribuintes, pais de família, assalariados, doentes e consumidores – os que pagam o pato – não mais ignoram o custo que tem a ação deste antigo vício na administração pública: reivindicar “direitos” para uma conquista futura…

(Sintraseb)
(Sintraseb)

5 Comentários

  1. A Zoropa e as Greves
    Bom, já que há ‘blumenauenses fundamentais’ que gostam de citar a zoropa como exemplo, também partirei daqui. Nem sei dizer com quantas greves convivi nessas nove meses morando na França: correios, trens, professores, trens, comércio, metrôs, trens de novo, etc. Como aqui o transporte prioritário é o coletivo, a greve no transporte afeta todos. Ficamos incomodados? Sim. MAS, trabalhadores na França sabem que eles têm uma LUTA COMUM contra todos os patrões, sobretudo o governo, e são solidários com quem está em greve. Se eles descuidarem perdem direitos e logo podem voltar às trevas do início da revolução industrial e a exploração sistemática dos trabalhadores. Há greve? Somos a favor. Sem mais.
    No Brasil, tá virando modinha chamar empregado de malandro, não apenas quem está em greve, como se emprego fosse favor. Favor só se for para o patrão e o lucro que ele ganha com a ‘mais valia’ – para quem não sabe, explicando bem sorrateiramente, é dos baixíssimos salários que o patrão tem o seu lucro, paga menos, explorar mais, para ganhar mais. Quer dizer enquanto jornalista bem pago vai para a televisão dizer que feriado é um absurdo e que pobre tem que trabalhar 365 dias por ano, Patrão tá curtindo o feriadão em Miami. E tem empregado que compra o discurso!

    Tem muita gente falando mal da educação no país, que professor/a não é valorizado/a, mas quando há uma greve reivindicando direitos, professor/a vira malandro/a. Falta coerência, hein? Mais ainda falta uma visão crítica sobre o presente e futuro. Estão preocupados com a educação dos filhos, apoiem os professores deles. Já! Não conseguiu ir trabalhar porque há greve? Pegue os seus filhos e vá para frente da prefeitura junto com os/as professores/as, pressione por uma escola digna e por salários dignos de seus professores.
    Vi muitos comentários achando que o salário de professor é muito alto, fala sério? Ainda quem disse que ganhava 1.200,00 e eles ganhavam muito mais e não tinha porque ter greve. Quem está ganhando 1.200,00 e fez faculdade (para lembrar que professores fizeram 4 anos de faculdade, geralmente com mais 2 de especialização), está mais do que na hora de entrar em greve, você está sendo muuuito, mas muito explorado/a. Tá na hora de fazer greve!
    Por falar nisso, qual é o piso do jornalista em SC?

    • O que mais choca é a pobreza conceitual do artigo inicial que puxou esta discussão. Tosco! Para fazer uma crítica, ainda mais aberta como esta é preciso ser inteligente. No mais, as discussões são interessantes. Mas penso que deveria se criar fóruns permanentes para enriquecê-la, para que elas não terminem com a greve.

  2. Afora toda a confusão conceitual e opinião sem fundamento (reforçando e corroborando com a opinião do Pablo logo abaixo), o que mais me chamou atenção foi esta afirmação no texto: “Essa ideia de impor o marxismo como instrumento de lutas não resulta em objetivos concretos e verdadeiros. Essa ideologia ultrapassada, é desprezada desde 1989 no continente europeu.”
    Vocês vivem em que mundo mesmo? Aqui na Europa o cara que está mais sendo estudado e novamente valorizado é justamente Marx. Em tempos de crise, como agora na Europa, Marx e aqueles que escrevem com fundamento em suas idéias, estão por toda a parte, sendo lidos e discutidos. Aliás, uma passada rápida em livrarias daqui da Europa já mostraria isso também. Quando a gente vê que ‘editores’ de ‘opinião’ falam sobre o que nunca leram e sequer pesquisam sobre o tema o qual redigem, constatamos o quanto a educação está mesmo sendo desprezada. Só pra reforçar sobre o crescimento e retomada das ideias e conceitos de Marx na Europa, eu trago uma entrevista do Ópera Mundi, feita com o britânico David Harvey: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/30291/volta+do+interesse+por+marx+explica+porque+a+historia+nao+acabou+diz+geografo+britanico.shtml

  3. Peço encarecidamente ao farol blumenau que me ajude para que nós pais possamos também reinvidicar nossos direitos pois essa greve já deu o que tinha que dar estamos dispostos a ir pra rua pois varios pais e mães já foram demitidos por não ter com quem deixar seus filhos e agora me diz quem vai pagar essa conta? Quem vai colocar comida na mesa destas famílias . Meu genro é uma vitima desta greve que é tão pura e somente politiqueira. Nos também vamos pra rua. Nos também queremos nossos direitos.

  4. Quanta confusão conceitual e quanta opnião sem fundamento. Ingenuidade é forçar o traço dessa forma. Para ficar mais caricato poderia ter acrescentado. – A culpa é do PT e dessa ditadura comunista!!!
    Dá para colocar no mesmo saco, junto com aqueles que, no início da década de 90, esbravejavam – Brasil, fantoche imperialista!!!

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