Quando os sonhadores partem

A morte, apesar de traçada desde a maternidade, parece-me algo distante. Reconhecer sua existência não é um problema, o problema é a minha insistente recusa em encará-la. Em uma vida onde a palavra futuro sobrepõe aos pensamentos sobre o presente, a finitude não é refletida.

Arlete Canarinha e Pedro Dantas despediram-se deste plano. Conheci os dois em 2.012, e, apesar de não ser próximo aos mesmos, eu os lembrava com afeto. Em ambos havia prazer na agitação da vida, em ambos haviam pensamentos sobre os planos futuros e um louvável contentamento com o presente e orgulho do passado. Eles pareciam inexoráveis e eternos. Pensar neles era pensar em sonhos, planos futuros e vida! Neles, não só havia vida inteligente, mas existia uma gigantesca sensibilidade sobre a vida humana. Vestiam-se de acordo com suas emoções, porque eram as emoções que davam o gás aos seus trabalhos. Eu soube que Canarinha passava por um momento difícil, mas nunca imaginei sua partida. Pedro, que na época em que conheci possuía cerca de setenta anos, orgulhava-se que as suas esculturas marcavam a paisagem de Blumenau. Em ambos haviam trajetórias respeitáveis.

Arlete e Pedro são antídotos ao conformismo e à passividade perante a existência. Lutaram por uma vida digna e, com leveza, seus sonhos resistiram ao tempo.

Arlete Canarinha
Arlete Canarinha

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