Um resumo dos últimos dias

Passeata pelo impeachment da Dilma em Blumenau; fala-se com a pessoa que vai e se descobre que ela não sabe o que realmente é um impeachment. Passeata pelo impeachment da Dilma no país inteiro; fala-se com as pessoas que vão e se descobre que elas não sabem o que realmente é um impeachment. Passeata pelo impeachment da Dilma em Blumenau; umas 70 pessoas vão e ficam acampadas na prefeitura, com seus cartazes e seu ódio, enquanto chove.

Quisessem se fazer mais úteis para o povo, teriam enchido baldes com a água da chuva e enviado lá para São Paulo (afinal, se Sul e Sudeste se separarem, alguém vai ter que dar água para os paulistas). Passeatas pelo Brasil inteiro, com gente que se diz democrática, mas que não aceita a vitória democrática nas urnas. Lobão diz ao povo que fica. A moça rica e loira faz um vídeo mandando o resto do país se danar, já avisando que vai para Orlando, porque aqui ela não fica, não com a Dilma.

As pessoas nas áreas mais pobres do Brasil, antes passando fome, agora com o bolsa-família, agora menos famintas, agora com mais esperança. O Sudeste dizendo sustentar o Brasil. O nordestino sendo explorado pelo Sudeste. O Sul dizendo sustentar o Brasil. O nordestino sendo explorado pelo Sul. Lembrança da moça pobre e nordestina que me contou que era empregada na casa da moça rica e sulista, e que a moça rica e sulista tinha a geladeira cheia de comida, coisa que moça pobre nordestina nunca tinha visto, mas que moça rica e sulista a fazia comer macarrão com salsicha todos os dias, porque aquela era a comida mais barata e aquela era a comida das empregadas, e era separada das outras coisas na geladeira, deixada em um pote especial, para que a moça pobre e nordestina sempre soubesse: “seu lugar não é aqui.”

Passeata em São Paulo pela volta da ditadura. Passeata pacífica em São Paulo, pela volta da ditadura, que só é possível existir porque se vive em democracia. Passeata com gente gritando que quer os militares de volta, fora PT, fora Dilma, que a solução é a ditadura. O herdeiro do Bolsonaro dizendo que prefere votar no Marcola a votar na Dilma. Lembrança da minha mãe me contando de como realmente era a ditadura; de como eram os protestos em que se ia reclamar do governo. “As balas não eram de borracha,” dizia minha mãe.

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