República Independente da Lorpolândia

Ouvi de um lorpa: “pra mim, cada pessoa deveria morar no estado em que nasceu”.
Silêncio para refletir… Vamos lá.

Uma das maiores façanhas da humanidade são esses países gigantescos, serem coesos como são, por causa da unidade nacional.

E como se deu a unidade no caso brasileiro? Pela língua. E pela experiência de nossos colonizadores terem conseguido à duras penas, um território minúsculo, num cantinho da Europa, onde já não havia mais terras para empurrá-los. Dali para adiante era só água salgada. Acuados e entre guerras para firmarem-se como povo soberano, foi no Brasil que os portugueses exorcizaram o sentimento reducionista, aumentando as fronteiras da colônia ao máximo que podiam. Assim, construíram fortes e fortalezas no litoral, nos rios e nos vários extremos da colônia.

Esses portugueses, que de bobo nada tinham, conseguiram durante o império, expandir enormemente as fronteiras da colônia Brasil, enviando hábeis tratadistas às salas litigantes de negociações.

Depois, em 1900, na primeira fase da república, veio Jucá Paranhos, conhecido mesmo como Barão do Rio Branco. Comandando o Ministério das Relações Exteriores por doze anos, realizou, de forma pacífica, o difícil e extraordinário trabalho de delimitação territorial, ganhando causas importantes frente a nossos vizinhos sul-americanos. Algumas negociações, dificílimas, contra a Bolívia, Argentina e França.

Uma coisa que não faltou na história do Brasil foram guerras e revoluções em nome de causas nobres e humanitárias. Outros conflitos usaram o mesmo discurso para escamotear o verdadeiro intento: separatismo. A revolução paulista de 1932, que de constitucionalista não tinha nada, é um exemplo. Senão, como explicar uma revolução que estourou em julho, sendo que o decreto de convocação da constituinte já estava publicado desde maio?

O ideário separatista era a única corrente de comum acordo entre todos os revoltosos. Os documentos são fartos – inclusive cartas de gente famosa como Oswald de Andrade e Monteiro Lobato – e estão à disposição de qualquer incrédulo, no Arquivo Público do Estado de São Paulo.

O que se ensina nas escolas é que São Paulo pegou em armas para exigir a “convocação de uma assembleia constituinte” (as aspas são necessárias). Na verdade, o que historiografia criminosamente omite, e alguns professores preguiçosos também, é que antes da tal revolução, São Paulo já tinha o desenho de bandeira própria, moeda própria e já fazia acordos internacionais secretos, no afã de se tornar país independente. Só não contavam com a eficácia e abnegação do (sempre ele, atacado, mal falado e mal tratado) exército brasileiro.

Se formos dissecar as guerras e revoluções do império, veremos que quase todas elas começavam como justas reinvindicações. Mas tão logo chegavam ao poder, declaravam-se territórios independentes, como foi a Cabanagem, no Grão-Pará e no Acre.

Mais admirável ainda é se compararmos o Brasil com países insignificantes territorialmente, como a Suíça, que não detém essa uniformidade. Lá se fala quatro idiomas. Dois cantões (espécie de estados) tentam historicamente impor sua cultura sobre os demais.

No Canadá, país de primeiro mundo, cidadãos de Quebec não se consideram canadenses. Em Quebec o idioma é diferente, a bandeira é diferente, a cultura é diferente, a religião é diferente e suas instituições são diferentes do restante. Quebec é um país dentro de outro país. Não faz muito tempo, em 1995, um plebiscito separatista rachou a população ao meio. Ao que consta, rolou muita grana para que a separação não ocorresse.

Na Espanha, a Catalunha pode ser qualquer coisa, menos espanhola. Lá não se fala espanhol, e sim, o catalão. Em 2012, noutra região, no País Basco, uma jogada política foi tentada de forma a preparar o plebiscito em prol do desmembramento da Espanha. Em ambos, os movimentos separatistas não se arrefecem. Isto sem falar na Andaluzia. Agora é a vez do Reino Unido se ver às voltas com os pendores independentistas da Escócia.

Nós, brasileiros, temos em nossas mãos o resultado de séculos de lutas. Pacíficas e sangrentas. Somos o espantoso resultado de uma nação gigante que não se diluiu. É uma façanha. Nós não nos fragmentamos!

Se estes movimentos vingassem, o Brasil seria hoje um amontoado de paisecos, cada um digladiando entre si. Um querendo engolir outro; fazendo alianças internacionais com o que há de mais podre na política externa.

E nós sabemos muito bem que o maior instrumento de dominação é a fragmentação da força de um povo. Dividir para dominar. Tal qual está em curso nos dias de hoje, onde uma facção criminosa se infiltrou nos meios democráticos, despejando caminhões de dinheiro roubado do erário público (também conhecido como imposto que a sociedade paga). Estes bandoleiros fomentam o ódio entre a população, onde o negro odeia o branco, o agricultor odeia o fazendeiro, o pobre odeia rico, o homossexual odeia o heterossexual, o funcionário odeia o patrão; e vice-versa, e assim por diante. Mas este é outro assunto a ser tratado noutra ocasião.

Quanto ao lorpa e a sua infeliz citação no começo desses escritos, tratarei na próxima oportunidade.

Nilton Borges é cidadão, consumidor, pagador de impostos, contribuinte e eleitor.

Um comentário

  1. Sobre o trecho: “Ouvi de um lorpa: “pra mim, cada pessoa deveria morar no estado em que nasceu””.

    Bem,se cada um deveria morar no Estado em que nasceu, porque os italianos, alemàes, japoneses e outros estrangeiros vieram para o Brasil (qdo o país já tinha mais de 350 anos)?
    Eu digo porque. Porque eles fizeram o contrário. Eles NÀO ifcaram no Estado em que nasceram. Ao invées de terem ombridade de ficar e lutar para defenderem suas pátrias eles as abandonaram. Fugiram, deixando lá parentes e amigos sozinhos a própria sorte. Ficaram lá os patriotas.

    Bem, digo com orgulho que o primeiro homem da minha família veio ao Brasil como soldado do reino da Espanha, defender este país da invasào holandesa.

Deixe um comentário

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome