sexta-feira, 12 de agosto de 2022
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Pelo direito de parir em paz

Na última semana Adelir, residente da cidade de Torres (RS), foi obrigada a se submeter a uma cesariana. Decidida a parir em casa, tendo feito todo um acompanhamento inclusive com auxílio de uma doula, profissional que acompanha e dá suporte físico e emocional a grávidas, teve seu direito de parir naturalmente negado.

(Mãe naturalmente)
(Mãe naturalmente)

Com autorização da juíza Liniane Maria Mog da Silva um oficial de Justiça bateu na porta da casa da gestante com a presença de policiais e uma ambulância determinando que ela fosse levada ao hospital, onde a cirurgia foi realizada. Segundo a Organização Mundial da Saúde 55% dos partos realizados no Brasil são através de cesarianas, contrariando recomendações da própria OMS, que recomenda que esse percentual não passe de 15%.

Uma cesárea forçada é uma violência obstétrica, contradizendo todos os princípios do parto humanizado. A violência contra as mulheres também é uma violação aos direitos humanos.

Diariamente mulheres são vítimas da violência obstétrica e infelizmente muitas delas não sabem dos seus direitos e acabam sofrendo com agressões físicas ou emocionais por parte dos ‘profissionais’ de saúde. Segundo um estudo, os tipos mais comuns de violência são gritos para com a parturiente e procedimentos desnecessários e dolorosos sem o consentimento da mesma, como a episiotomia, um corte feito na região do períneo, área muscular entre a vagina e o ânus. As consequências dessa violência são sérias, podendo causar depressão pós-parto, dificuldade para cuidar do bebê recém-nascido e também problemas na sexualidade da vítima.

(Mãe naturalmente)
(Mãe naturalmente)

É de direito da parturiente a presença de um acompanhante na hora do parto, que pode ser o marido ou qualquer pessoa da escolha da gestante, e o impedimento disso também é considerado uma violência obstétrica. As cesáreas salvam sim muitas vidas e devem estar disponíveis, mas esse é um procedimento que deve ser disponibilizado quando há uma real necessidade. No Brasil, o uso da cesárea é mal regulado nos serviços públicos e não regulado no setor privado, a falta de informação faz com as mulheres acreditem que trazendo seus filhos através de uma cirurgia estarão mais seguros e os estudos apontam o contrário. Para finalizar vou usar a fala do médico pediatra e neonatologista Dinamarquês Dr. Marsden Wagner: “Uma mulher surda não pode fazer uma escolha entre Mozart e Beethoven. ‘Escolha’ sem informação completa não é escolha.”.

Redação
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