Os desafios da Marinha para defender sete mil km de fronteiras marítimas

Como integrante de um grupo de acadêmicos de Jornalismo, no dia 19 próximo passado, tive a oportunidade de embarcar na Corveta “Imperial Marinheiro” (V-15), navio de patrulha distrital da Marinha do Brasil, subordinado ao Comando do 5º Distrito Naval.

Simulação de combate na Imperial Marinheiro  (Foto de Filipe Rosenbrock)
Simulação de combate na Imperial
Marinheiro (Foto de Filipe Rosenbrock)

Ao ser recebido a bordo pelo comandante do navio e seus oficiais, a tripulação chamou logo a atenção pelo branco impecável dos seus uniformes, combinando com a cor cinza predominante nos navios de guerra. Foi uma visão diferente para quem se fez ao mar pela primeira vez.

Extremamente limpo, o navio é organizado por incumbências, mas já apresenta marcas de corrosão em várias partes da sua estrutura, pois, afinal são 60 anos de serviço no mar — duas ou três vezes mais a vida útil normal de um navio.

Ao entrar na sala de comando, o passadiço, senti-me no Titanic, o lendário navio de passageiros que naufragou em 1912, nos mares do Norte.

Risco

O descaso governamental com a Marinha é visível: o Comando do 5º Distrito Naval, organização militar responsável pelo patrulhamento marítimo dos três Estados do Sul, tem à sua disposição apenas quatro navios, entre eles a “Imperial Marinheiro”.

No Rio de Janeiro, a Marinha dispõe de um porta-aviões, submarinos e fragatas, mas em quantidade insuficiente para vigiar as nossas fronteiras marítimas formadas pela zona econômica exclusiva. A nossa Marinha ainda é a maior da América Latina, mas perde espaço para a Armada do Chile.

Pré-sal

Os marinheiros da V-15 se referem com orgulho da descoberta dos diversos e riquíssimos campos de petróleo no pré-sal, que são reservas que retêm muito petróleo e ficam a uma profundidade de até oito mil metros. Com isso, a proteção desses recursos estratégicos vai exigir muitos investimentos para a Marinha.

Até 2018, diversos navios-patrulha oceânicos serão construídos ao custo de R$ 2,1 bilhões. Isso se as decisões políticas não atrapalharem. O Prosub, Programa de Desenvolvimento de Submarinos, já está em curso. Cinco submarinos, entre eles um com propulsão nuclear, devem ser construídos até 2025, ao custo de R$ 26,4 bilhões.

Esses investimentos, associados a outros, ensejarão ao Brasil condições sem precedentes para exercer com eficácia a proteção das suas riquezas no mar, contando com meios navais equipados com tecnologias modernas exigidas para os teatros de operações do século XXI.

Defasagem histórica

Corremos atrás de um prejuízo histórico causado pela má administração do País durante muitos anos. Por mais louvável que seja a preocupação da Marinha com a proteção do pré-sal, ainda contamos com navios de guerra como a Imperial Marinheiro navegando a velocidade máxima de 10 nós (aproximadamente 20 km/h), que, pasmem, corresponde praticamente a metade da velocidade do RMS Titanic, construído na primeira década do século XX.

Nunca é demais acrescentar que a temos duas Amazônias para defender: uma verde e uma azul. Ambas com a imprescindível participação da Marinha.

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