Oktoberfest foi refinada através dos erros

No passado, a nossa festa de outubro já causou grandes transtornos aos habitantes da city blumenauense. Má organização, segurança fraca, superlotação, são apenas algumas reclamações dos moradores que tinham que aguentar a falta de planejamento sério. Apenas para citar um exemplo, quem morava ou trabalhava na região central, nos dias de semana, tinha que conviver com um caos de foliões que não primavam pela limpeza nem pela boa educação.

Muito se disse, na época, que a culpa era exclusivamente dos “turistas mal-educados”. Tapava-se o sol com a peneira; a sujeira, a bebedeira que varava a noite e continuava nas manhãs e nas tardes, além das consequentes brigas e confusões, obviamente não eram responsabilidade única de quem vinha de fora. Uma parcela de blumenauenses também “contribuía” para isso – qualquer um que estava lá podia ver. Eram “frestas” dentro da festa.

Experiência

Com o tempo, felizmente, a administração da Oktober ouviu a voz dos munícipes e tratou de modificar o formato ou conceito da festa. O lucro passou a ser um alvo secundário, passando-se a ter mais cuidado com a imagem que a festa passa para os cidadãos, de dentro e de fora. Ou seja, a cidadania entrou no debate.

A criação da Vila Germânica foi um grande avanço numa cidade carente de atrações turísticas. Norberto Mette fez um bom trabalho à frente da administração, e, aparentemente, Ricardo Stodhieck vem seguindo a mesma linha.

O direcionamento de que a Oktoberfest precisa ser uma festa de tradições em primeiro lugar – mais do que uma festa de chopp – é louvável. É uma questão lógica: festa de chopp, em qualquer lugar se faz. Festa germânica, no Brasil, não. E a maior e a melhor precisa ser em Blumenau.

Precisa ser, pela sua História, o que resume muitos motivos: tradição, segurança, higiene, mas, acima de tudo, que seja um atrativo para as famílias, daqui e de outros lugares do Brasil. O simples atrativo do consumo de álcool é algo que não necessita de muito investimento, nem desenvolvimento, nem inteligência, para ser realizado.

Por outro lado, é importante salientar que nosso turismo ainda é algo não só colonial, mas colonizado. Os eventos que se realizam além da Oktoberfest são na maioria feiras destinadas à elite, e há poucos eventos populares – sejam do poder público ou da iniciativa privada. Cidades do mesmo tamanho de Blumenau, ou até menores e menos desenvolvidas, recebem mais turistas que nós. Que o diga o nordeste.

Confira mais notícias em nossa cobertura especial da Oktoberfest.

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