O Magnânimo D. Pedro II e a diabetes

Em 2 de dezembro de 1825, nascia o brasileiro Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon ou Dom Pedro II, às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filho mais novo do imperador dom Pedro I do Brasil (1798 – 1834) e da imperatriz dona Maria Leopoldina de Áustria (1797 – 1826) (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de dezembro de 1825).

Em 1875 chegam ao Brasil milhares de imigrantes italianos, atraídos pela propaganda do governo imperial brasileiro que firmou um contrato com Joaquim Caetano Pinto Júnior em 1874, para introduzir no Brasil 100 mil imigrantes, em um prazo de 10 anos – talvez o maior contrato havido na história do Brasil, em termos de política imigratória. O incentivo do magnânimo D. Pedro II foi fundamental para que o Brasil acolhesse os imigrantes que aqui ajudaram na transformação do país.

Em 1889, Dom Pedro foi deposto por uma junta militar e o Brasil foi declarado República. Ele, brasileiro nato e sua família foram mandados para o exílio em 24 horas, pois os republicanos temiam um levante popular devido à grande popularidade que dom Pedro ainda gozava, apesar de ter trocado “a coroa por uma cartola”, para citar Gilberto Freyre. A sua esposa, Teresa Cristina, faleceu um mês depois, em Portugal, e ele viveu com a família em Paris até à sua morte em 1891.

Seus últimos anos em Paris foram marcados por uma intensa atividade cultural e social, embora tenha ficado bastante doente devido à diabetes e parecesse mais velho do que realmente era. Sua presença na casa de Charcot era bastante frequente.

O imperador foi examinado na ocasião pela aristocracia da medicina, a ressaltar Jean-Martin Charcot, dentre os de reputação internacional, e Cláudio Velho da Motta Maia, dentre os brasileiros. Charcot diagnosticou, além de tensão mental, neuropatia diabética e quadro vascular cerebral que diferenciou de outras obliterações vasculares em localizações diversas. Ele demonstrou o seu conhecimento sobre neuropatia diabética, alternativas topográficas para justificar a incontinência urinária e fraqueza nas pernas. Dom Pedro II, ao longo da sua doença, apresentou manifestações que contribuíram para a sua fragilidade física e certamente para o seu declínio político, deposição e proclamação da República.

Durante sua enfermidade final, Dom Pedro estava morando no Bedford Hotel, quando Charcot diagnosticou pneumonia. Finalmente faleceu em 5 de dezembro de 1891. Charcot com os doutores Mota Maia (médico pessoal de Dom Pedro) e Bouchard assinaram a certidão de óbito.

Seu corpo foi embalsamado pelo Professor Poiret, presidente do Serviço de Anatomia da Faculdade, Dr. Mota Maia e filho de Charcot. A sua morte causou profunda consternação na imprensa internacional, que o descreveu como “Pedro, o Bom”. O corpo dele e da esposa voltaria ao Brasil apenas em 1922, ano do centenário da independência do Brasil.

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