O fim do Orkut: do sucesso a nostalgia

(Codigo Fonte-UOL)
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Ele foi o responsável pela primeira conexão efetiva de amigos e amigas de várias partes do mundo. Foi motivador de brigas, de amores e casamentos, foi um registro pioneiro de quem éramos, do que gostávamos, do que pensávamos. Tudo isto aos olhos de todo o mundo. Hoje, alguns dias da despedida, estes elementos em conjunto viraram apenas mais um ícone de um passado recente da constantemente evolutiva tecnologia do computador. Fechado depois de 10 anos, oito meses e seis dias de atividade, o Orkut, outrora nobre expoente das redes sociais, hoje faz parte do passado, ainda fresco, mas que já deixa lembranças aos jovens saudosos do século XXI.

Um intervalo de trabalho, e o engenheiro turco Orkut Büyükkökten cria uma das pioneiras das redes sociais (Wagner Tamanaha-Wikipedia
Um intervalo de trabalho, e o engenheiro
turco Orkut Büyükkökten cria uma das pioneiras das
redes sociais (Wagner
Tamanaha-Wikipedia

Foi necessário um intervalo entre os estudos e o trabalho para que o engenheiro turco da Google Orkut Buyukkokten tivesse a brilhante ideia que seria, em pouco tempo, o espaço mais procurado para relacionamento de pessoas de todo o mundo, além de pioneiro absoluto no conceito atual de rede social. Dominando internautas nos cinco continentes, promovendo contatos entre pessoas desconhecidas, amigos afastados e futuros namorados, o Orkut se converteu em uma autentica febre. Termos como “depoimento”, “scrap” e “add” foram se acrescentando no vocabulário da rede mundial de computadores e o planeta, que naquele longínquo 2004 já estava um tanto conectado, ficou ainda mais próximo.

Tal qual o duo atual Facebook/Twitter, o Orkut dividia com o clássico MSN Messenger mais da metade do tempo que o internauta incauto passava em frente ao computador. Roubava-lhe horas sagradas para atividades ditas “produtivas”, mas era um vício quase incontrolável. Dizer que, ao ligar um computador, você não ativava também os dois programas era mentira das maiores, e assim lá se ia mais um cidadão atrás das novidades, fofocas, novas mensagens e novos amigos no seu carinhoso espaço na grande rede.

E os jovens de hoje? Qual deles conseguirá tirar a velha rede social da cabeça? Muitos do que atualmente tem idades que variam de aproximadamente 20 a 25 anos, eram adolescentes quando o Orkut estourou no mundo dez anos atrás.  Para estes, fica quase impossível riscar da memória momentos como o do depoimento especial da garota (ou garoto, para as moças) amada, dos scraps recebidos no dia de aniversário, da fúria ou alegria ao checar a lista de visitantes ou a curiosidade ao ver fotos no Orkut alheio. Tempos heroicos em que muitos computadores brasileiros ainda não eram parte do advento da milagrosa ADSL, o que faziam os acessos a rede serem feitos nos fins de semana ou após a meia-noite de segunda a sexta. Pingos do passado frescos que vão aos poucos integrando as lembranças de uma geração que já tem muito o que recordar.

Ao passar os anos, o Orkut ganhava aprimoramentos visuais e operacionais para se tornar mais atrativo, mesmo que a concorrência, tímida ainda, parecia longe de superá-lo. Com um pouco de inspiração, o usuário podia optar por personalizar sua página com cores e temas diversos, outro ponto de vantagem perante o Facebook. Logo também, foi implantado o chat dentro do portal, onde os amigos podiam trocar conversas sem a necessidade do MSN. Tudo parecia perfeito e simplesmente insuperável diante qualquer outra ideia. Apenas parecia.

Mesmo sofrendo a debandada de usuários, o Orkut seguiu recebendo aprimoramentos, como troca de temas e chat (Techtudo/UOL)
Mesmo sofrendo a debandada de usuários, o Orkut seguiu recebendo aprimoramentos, como troca de temas e chat (Techtudo/UOL)

Aos poucos e em silencio, as investidas do Facebook e Twitter em busca de novos usuários tomaram proporções incalculáveis. Facilidades no uso, atualizações, visual mais moderno e recursos mais avançados foram aos poucos minando a então lendária invencibilidade do Orkut, agora visto com olhos de antiguidade e ineficiência. Um número cada vez mais alto de internautas em debandada e a impossibilidade de conquistar novos adeptos ajudaram a assinar a sentença de morte da velha rede, que se tornara um andarilho na web a procura do velho sucesso, ou até mesmo esperando seu próprio fim.

Era quase como inevitável o fechamento derradeiro do Orkut. Mesmo sendo mencionado em brincadeiras na web que era a próxima vítima depois do fim do Messenger, em outubro de 2013, ainda não havia nada de concreto por parte da Google com relação ao destino da antiquada rede social. Até que o veredicto foi anunciado em meados do primeiro semestre de 2014. Como quem assume a derrota diante da invenção máxima de Mark Zuckerberg, o Orkut mandava comunicar aos seus antigos usuários que estaria de partida em 30 de setembro, e quem ainda tivesse relíquias a salvar podia fazê-las com calma.

Twitter e Facebook, inovações e facilidades no uso sentenciaram o fim próximo do Orkut (Step by Step)
Twitter e Facebook, inovações e facilidades no uso
sentenciaram o fim próximo do Orkut (Step by Step)

O que não morreria junto com o espaço seriam as míticas comunidades, marca registrada da existência do site. Retratos não apenas de preferencias por música, artistas, gêneros e outros, mas sentimentos pessoais de situações do dia a dia. Não é a toa que a famigerada comunidade “Eu Odeio Acordar Cedo” foi uma das mais acessadas do Orkut, com mais de 6 milhões de membros. Hoje, tópicos, recados e o ideário destes espaços esta preservado como um museu permanente de lembranças de uma época de ouro para muitos.

Eis que chegou o 30 de setembro de 2014. Data que selou definitivamente o destino do velho Orkut. Uma rede social que, em linhas gerais, empreendeu um novo conceito de relacionamento no mundo virtual. Aproximou amigos, causou brigas, registrou momentos inesquecíveis, edificou relacionamentos de amor e, ainda vivo, virou símbolo de uma geração que ainda desbrava o novo século e as tecnologias que vinham sem esquecer do passado “heroico”. Não foi uma morte desejada, é apenas a sequencia do ciclo da tecnologia, que a cada dia é mais acelerado, mais fascinante, mas as vezes cruel e insensível, mesmo que sendo necessário para nossa evolução.

(G1)
Orkut, 2004-2014 (G1)

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