Narco-traficantes – Pablo Escobar: admiração, terror e poder

A nova série do Netflix NARCOS gira em torno do traficante colombiano Pablo Escobar (interpretado por Wagner Moura), retratando a história de ascensão de um criminoso comum para um dos homens mais perigosos, procurados e ricos do mundo.

Seu império de cocaína rendeu dinheiro, poder e admiração de boa parte da população carente da cidade de Medelín, na Colômbia. No auge do seu império, Escobar chegou a faturar a quantia absurda de Hum bilhão e 680 milhões de dólares mensais.

Na série NARCOS o ator Wagner Moura interpreta o “famoso” traficante Pablo Escobar.
Na série NARCOS o ator Wagner Moura interpreta o “famoso” traficante Pablo Escobar.

RAIO X DO NARCOTRÁFICO E SUAS INFLUÊNCIAS

As drogas são o alicerce e o pilar do crime organizado na América Latina. Os seus principais negócios ilegais giram à volta do tráfico global de cocaína, maconha e heroína. Entre os seus grandes cartéis de narcotráfico, destacam-se os cartéis do México e da Colômbia. Os lucros estão estimados em mais de 8,5 bilhões de dólares, constituindo um dos sustentáculos da economia nos países andinos.

A Colômbia é o principal centro de comando do narcotráfico da América Latina e Caribe, com importantes ramificações pelo Peru, Bolívia, Panamá e Brasil. Concentra-se na Colômbia, Peru e Bolívia o cultivo da coca (planta na qual se produz a cocaína e o crack). Também nessa região é crescente a produção de papoula, planta a partir da qual se produz o ópio e a heroína.

O combate ao narcotráfico é dificultado, uma vez que o “negócio”, altamente lucrativo, é muitas vezes liderado por pessoas de expressiva influência na política interna de diversos países. Na Colômbia, caracterizada por seus altos níveis de corrupção, campanhas políticas e pessoas do poder judiciário, são financiadas com recursos oriundos do tráfico. No México e no Brasil, o envolvimento de políticos com o narcotráfico é freqüente.

ADMIRAÇÃO E PODER

Pablo Emilio Escobar Gaviria considerado o mais brutal, impiedoso, ambicioso e poderoso traficante de drogas da história conquistou fama mundial graças ao tráfico de cocaína, para os Estados Unidos. No início do ano de 1970 Escobar aplicava pequenos golpes, venda de cigarros contrabandeados e bilhetes falsos de loteria, além de roubo de carros. Em menos de dez anos tornou-se um dos homens mais ricos do mundo.

MAIOR TRAFICANTE: Busca incansável.
MAIOR TRAFICANTE: Busca incansável.

No auge de seu poder, contrabandeava mais de quinze toneladas de cocaína por dia, no valor de mais de meio bilhão de dolares, para os Estados Unidos.

Pablo organizou remessas, rotas e redes de contrabando para distribuição, principalmente no sul da Flórida, na Califónia e em outras partes dos Estados Unidos. Para concretizar estas remessas Escobar comprou a maior parte do território de uma ilha nas Bahamas chamada Norma’s Cay. Próximo da Flórida, com uma pista de pouso de 3.300 pés e um porto, entre 1978 a 1982 este local foi utilizado como a principal rota de contrabando do Cartel de Medellín para os Estados Unidos. Além de usar aviões e barcos, dois pequenos submarinos de controle remoto transportavam massivas cargas de cocaína.

PROVOÇAÇÃO – Nos anos 80 Pablo Escobar e seu filho posam diante da Casa Branca - EUA.
PROVOÇAÇÃO – Nos anos 80 Pablo Escobar e seu filho posam diante da Casa Branca – EUA.

Escobar subornou incontáveis oficiais de governos, juízes e outros políticos, e muitas vezes executou pessoalmente subordinados desobedientes. Corrupção e assassinatos foram características predominantes do modo de agir de Pablo Escobar que foi responsável pela morte de três candidatos à presidência da Colômbia, pela explosão do voo Avianca 203 e do prédio da segurança pública de Bogotá em 1989, além do assassinato de metade dos juizes da Suprema Corte Colombiana em 1985.
Inimigo dos governos dos Estados Unidos e da Colômbia, Pablo era um herói para os pobres de Medelin. Escobar cultivou a falsa imagem de Robin Hood e frequentemente distribuía dinheiro aos pobres. O propósito tinha um único objetivo: fazer com que a população esconde-se informações das autoridades e fizesse o que quer que fosse para protegê-lo.
A guerra contra Pablo Escobar acabou em 2 de dezembro de 1993. Localizado escondido com seu guarda-costas em um bairro de classe média em Medelín, os dois tentaram fugir correndo pelos telhados de casas adjacentes, mas ambos foram baleados e mortos pelas forças policiais colombianas. Escobar foi atingido por dois tiros na perna, no torso e por um tiro fatal através da orelha. Seus dois irmãos, Roberto Escobar e Fernando Sánchez Arellano, acreditam que ele atirou em si mesmo: “Ele cometeu suicídio, ele não foi morto. Durante todos os anos que fui atrás dele, ele me dizia todos os dias que se realmente ficasse encurralado, sem uma saída, ele iria atirar em si mesmo”.

02 DE DEZEMBRO DE 1993: Fim das buscas
02 DE DEZEMBRO DE 1993: Fim das buscas

Cerca de 25 mil pessoas estiveram presentes em seu sepultamento. 22 anos depois de sua morte a imagem de Robin Hood que Escobar havia cultivado continua a ter influência na cidade de Medellín.
Depois de Escobar o narcotráfico aprimorou ainda mais sua atuação criminosa. Novos grupos se estabeleceram e além de atuar nos Estados Unidos, Espanha, França, Emirados Árabes, África do Sul, China e quase todos os países da América do Sul estão na rota e sede destas organizações criminosas. Segundo a Polícia Federal , estes grupos no Brasil tem um ‘alto grau de profissionalismo’, com diversos mecanismos contábeis, comerciais e cambiais semelhantes aos utilizados por grandes empresas. A estrutura logística inclui vários setores, entre eles, aeroportos e portos, casas de câmbio, construtoras, hotéis fazendas e empresas agropecuárias.

Anônimos e famosos defendem a descriminalização das drogas. Defendem um ponto de vista na qual se pretende retirar o poder dos cartéis. O fato é que jamais terá fim a
escravidão através das drogas – que atrai milhares de jovens e velhos consumidores, iludidos com a falsa promessa de criatividade que nunca encontram ao consumir entorpecentes.

O autor é historiador.

Sérgio Campregher é historiador pela Uniasselvi/Fameblu e fala sobre política nacional e internacional e curiosidades. Escreve de Blumenau.

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