sexta-feira, 2 de dezembro de 2022
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Não se pode ofuscar o passado de Blumenau

Galeria fluvial encontrada (Odebrecht Ambiental)
Galeria fluvial encontrada (Odebrecht Ambiental)

Durante implantação da rede de esgoto na rua Presidente John Kennedy, ao lado do Teatro Carlos Gomes, em Blumenau, funcionários da Odebrecht Ambiental encontraram um túnel que segue o sentido da rua. Como não interferia na obra de saneamento, o trabalho foi mantido.

De acordo com o jornalista Francisco Fresard, o túnel tem 1,5 metro de altura e 90 centímetros de largura.

O efeito do ‘achado’ foi como fogo no palheiro das lendas urbanas. A principal é Adolf Hitler teria ordenado a construção do Teatro para se abrigar, e que o túnel seria uma passagem para o Rio Itajaí-Açu.

Mas o escritor e jornalista Carlos Braga Mueller, revelou em um artigo a serventia do túnel. “Entre o Teatro Carlos Gomes e o Banco do Brasil […] havia um córrego e uma ponte. As águas [de um ribeirão] foram canalizadas e outra galeria passou a ser confundida com um túnel e, pior, ficava no lado do teatro, aumentando a lenda de um túnel no local”, argumentou.

Segundo ele, existe, vários canais e túneis no centro da cidade. “Todos estes túneis são canalizações de antigos ribeirões ou de águas da chuva”, finalizou.

Quepe nazista? (Reprodução)
Quepe nazista? (Reprodução)

Apesar de os túneis merecerem estudo, outras lendas não fazem muito sentido, como a de que a fachada do Teatro Carlos Gomes teria formato de um “quepe nazista”. A suposição é inconsistente, já que este acessório militar tem formato comum, como este da Polícia Militar de Santa Catarina (foto).

De fato, o nazismo esteve em terras catarinenses, mas Mueller cita no artigo Os Vários Mitos que cercam o Teatro Carlos Gomes que o nome da Sociedade Teatral Frohsinn, renomeado posteriormente, não estava na lista da Delegacia de Ordem Política e Social de Santa Catarina de diversas sociedades e clubes que teriam recebido doações da Alemanha nazista.

Já o historiador Adalberto Day revelou ao menos 67 homens partiram voluntariamente de Blumenau em 1864 para lutar na Guerra do Paraguay. Já em 1943, na segunda guerra mundial, 538 homens serviram na Força Expedicionária Brasileira (FEB) contra as forças nazifascistas no sul da Itália. A disposição em servir prova que os bravos já tinham uma nova pátria.

As lendas urbanas fazem parte das cidades, mas não podem ofuscar a verdadeira história.

Filipe Rosenbrock
Filipe Rosenbrock
Jornalista e analista de dados! Um dos criadores do Farol Blumenau
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