Morre o cantor José Rico, da dupla Milionário & José Rico

(Radio Laser)
(Radio Laser)

A música sertaneja perdeu nesta terça-feira (03) uma das mais emblemáticas e importantes vozes de todos os tempos. Faleceu em Americana, interior de São Paulo, o cantor José Alves dos Santos, o José Rico da dupla “Milionário & José Rico“. Ele foi internado na manhã do mesmo dia em uma unidade de saúde de Americana com complicações cardíacas e renais. No início da tarde, o cantor não resistiu aos problemas e faleceu vitima de um infarto fulminante. Ele tinha 68 anos.

A morte foi anunciada por meio do Facebook da dupla. “É com muita dor no coração e profunda tristeza que comunicamos o falecimento do nosso ídolo José Rico. Vamos rezar por este homem que tanta alegria nos deu. É impossível descrever nossa tristeza, estamos todos em estado de choque”, dizia o post.

Nascido em São José do Belmonte, Pernambuco, José Alves dos Santos formou dupla com Romeu Januário de Matos, o “Milionário”, no início da década de 70. O primeiro disco foi gravado em 1973 e já tinha um grande sucesso: “De Longe Também se Ama”.

O primeiro LP da dupla, de 1973, já tinha um sucesso: "De Longe Também se Ama" (Mercado Livre)
O primeiro LP da dupla, de 1973, já tinha um sucesso: “De Longe Também se Ama” (Mercado Livre)

A dupla atribuía o sucesso a devoção a Nossa Senhora Aparecida (chamada por José Rico de “chefe”), por uma história curiosa. Os dois visitaram a basílica pouco depois de gravar o disco e deixaram no altar do templo uma cópia do LP como agradecimento a Santa. O pároco encontrou o disco e de deduziu que a dupla era “podre de rica” por conta do nome e não precisava de “ajuda”. Sem saber o que fazer, enviou o LP uma radio de Aparecida do Norte, que começou a toca-lo na programação. Os ouvintes começaram a ligar sem parar, e dali por diante a dupla passou de desconhecida a imbatível.

A dupla no filme-biografia de 1979, o primeiro dos dois da dupla (Junior da Viola)
A dupla no filme-biografia de 1979, o primeiro dos dois
da dupla (Junior da Viola)

Foram diversos os sucessos gravados ao longo do anos. No entanto, uma música apenas era capaz de unir lado a lado pessoas de diferentes estilos musicais. Era a lendária “Estrada da Vida”, gravada no LP de 1978 e que até hoje é lembrada em qualquer momento e por qualquer pessoa. O sucesso da dupla também virou filme, batizado com o mesmo nome da música de sucesso, rodado em 1979. Este foi o primeiro de dois filmes, o outro – “Sonhei com Você” – foi gravado em 1987.

Foi também deles a primeira excursão de uma dupla sertaneja brasileira ao oriente, em 1986, quando o governo chinês os convidou para uma série de apresentações em Pequim. O estilo de José Rico na interpretação é algo inconfundível. Dono de uma voz potente, rasgada e firme, as interpretações da dupla se tornaram verdadeiros hinos do “modão”, estilo sertanejo que varia mais para o romântico.

http://youtu.be/Owo4VC9qtQo

Outras duas marcas registradas de José Rico eram os vários acessórios de ouro e joias, como anéis, alianças, correntes e pulseiras. A outra era a inconfundível mão no ouvido, que segundo o próprio cantor, ajudava a acertar o tom de voz na hora de cantar. Uma técnica válida que ajuda na percepção da própria voz do cantor e que não era exclusividade dele. Robin Gibb, integrante do Bee Gees, também fazia o mesmo gesto.

A dupla chegou a se separar em 1991, mas retornou três anos depois, para nunca mais se afastar dos palcos e de si mesmos (Radio Laser)
A dupla chegou a se separar em 1991, mas retornou três anos depois, para nunca mais se afastar dos palcos e de si mesmos (Radio Laser)

A dupla chegou a se afastar em 1991. José Rico gravou sozinho, enquanto Milionário cantou junto de Mathias, da dupla Matogrosso & Mathias. O retorno foi em 1994, para nunca mais se separarem. No entanto, para os entusiastas do estilo e admiradores da dupla, José Rico não morreu, apenas seguiu o que ele mesmo cantava no refrão de “Estrada da Vida”:

Mas o tempo cercou minha estrada
E o cansaço me dominou
Minhas vistas se escureceram
E o final desta vida chegou

José Rico (1946-2015)

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