Fanfarras: Uma chance para educar

EEB Padre José Maurício, fundada em 2001, dribla os problemas para manter-se em bom nível (André Bonomini)
Fanfarra da EEB Padre José Maurício, fundada em 2001, (André Bonomini)

Entre cadernos, livros, contas matemáticas e exercícios de gramática, o som grave dos instrumentos de percussão, notas de trompete e liras e as lições de musicalidade e disciplina vindas de mais uma fanfarra da cidade de Blumenau. Tradicionais por si só, presentes nos mais diversos festivais, eventos e desfiles cívicos e festivos, as corporações musicais escolares da cidade são a marca vibrante de tradição e educação por meio da música cultivadas, em muitos casos, há várias gerações. Educação esta que, embora pareça esquecida e até marginalizada pelo desamparo de muitas escolas, ainda cumpre com louvor seu papel de edificadora de bons valores para uma juventude cada vez mais carente de bons exemplos e atividades saudáveis.

Numa sociedade que busca alternativas de educação e certa “distração” saudável aos jovens, na frenética batalha contra vícios e atos de delinquência, as bandas e fanfarras aparecem dentro das escolas da rede pública como uma das grandes saídas na promoção de valores edificantes e educação musical. Não apenas como incentivadora de uma possível futura profissão entre seus integrantes, a fanfarra é, sobretudo, um meio complementar de educação que traz a seus membros princípios de disciplina, respeito aos símbolos nacionais, cooperação, raciocínio e inúmeros outros benefícios que colaboram na construção dos cidadãos do futuro.

Tradicional banda da EBM Machado de Assis (Jaime Batista da Silva)
Tradicional banda da EBM Machado de Assis (Jaime Batista da Silva)

No entanto, as bandas e fanfarras também tem sido vitimas, não só em Blumenau como também em várias cidades do estado, do sucateamento e do descaso não só de muitas direções escolares, mas também dos próprios pais, negligentes no acompanhamento e prestígio das apresentações de seus filhos. Apesar do esforço por parte da prefeitura de Blumenau, por meio do projeto “Bandas e Fanfarras”, do governo de Santa Catarina (para com as escolas estaduais) e da persistência de professores e integrantes, a manutenção das atividades das corporações tem sido cada dia mais um desafio constante.

Renovação de instrumentos, uniformes, consertos, tudo tem se tornado uma brincadeira cara, que é mantida muitas vezes apenas com eventos paralelos de arrecadação de fundos, muitas vezes feitos de forma independente e que acabam por contribuir com o necessário para uma verdadeira manutenção destes equipamentos e indumentária. Não é uma realidade fácil, mas a batalha matada no peito pelos regentes, maestros e alunos empolga e dá a esperança de dias melhores a muitas pequenas e grandes corporações.

Fanfarra especial da EBM Henrique Alfarth no SESI (Valmir Alfarth).
Fanfarra especial da EBM Henrique Alfarth no SESI (Valmir Alfarth).

E por que não fomentar, divulgar e dar assistência as fanfarras? Não é tolerável, em um panorama deficitário da educação brasileira atual, negar esta atividade como colaboradora para uma possível mudança neste quadro com relação ao jovem. É preciso que o poder público intensifique, de maneira geral, a assistência as bandas, não apenas como uma forma de aumentar suas estatísticas para as prestações de contas, mas também para garantir que efetivamente as fanfarras possam sim exercer seus papéis de educadoras e edificadoras dos novos cidadãos. É urgente a necessidade de renovar equipamentos, dar apoio aos grupos, fomentar eventos como festivais, desfiles, concursos, sempre contando também com o papel da imprensa como difusora desta atividade e de seus trabalhos. É uma complexa ciranda, mas sumariamente precisa para mantar uma atividade tão tradicional em muitas escolas de Blumenau.

E, por fim, é preciso que a união de todas as bandas da cidade, sendo regentes, professores e alunos, seja uma verdade. No compartilhamento de ideias e experiências, na busca de soluções e na concretização de desejos. Tudo isso colabora para manter uma atividade que para muitos é sinal de nostalgia e exemplo de educação por meio da música, e para outros, é a expressão que ainda há caminhos e saídas para melhorar a educação no país. Tudo isto com uma pitada de musica, alegria, amizade e esperança. O abraço amigo a todas as bandas e fanfarras de Blumenau, e que a excelência não seja uma utopia, mas um sonho possível.

(De mim, André Luiz Bonomini, futuro jornalista e coordenador-regente da fanfarra da EEB Padre José Maurício – FAJOMA – em meu nome e da corporação, fica meu abraço a todos os amigos regentes e alunos das bandas e fanfarras de toda Blumenau, com o desejo sincero de sucesso a todos e que nos unamo-nos todos buscando a manutenção das tradições de musica e educação e a excelência em nossas funções. Até o próximo encontro!)

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