F1: Vettel fatura na Hungria em dia de lembranças a Bianchi

Vettel e a Ferrari: A "nova bandeira em Maranello" (AP)
Vettel (de capacete) e a Ferrari: A “nova bandeira em Maranello” (AP)

Quem imaginava, após os treinos, que o fim de semana húngaro da F1 seria mais uma monótona corrida dominada pelas Mercedes, enganou-se redondamente. Envolto em emoção, homenagens e muita briga na pista, o GP da Hungria assistiu uma incrível vitória da nova bandeira de Maranello, Sebastian Vettel, a segunda do ano da Ferrari. Apesar da emoção, a corrida foi mesmo marcada pelas lembranças a Jules Bianchi, morto no último dia 18 depois de nove meses em coma por conta do fatídico acidente no GP do Japão do ano passado.

Pilotos reunidos na homenagem a Jules Bianchi, que emocionou o autódromo e os fãs (AP)
Pilotos reunidos na homenagem a Jules Bianchi, que emocionou o autódromo e os fãs (AP)

As homenagens já permeavam os carros de todas as equipes durante todo o fim de semana no Hungaroring. Antes da largada, os 20 pilotos se reuniram em um circulo simbólico na linha de chegada, tendo a companhia dos pais e do irmão de Bianchi. Um gesto tocante e que não deixou escapar, dos olhos dos mais sensíveis, as lágrimas.

Na largada, as Mercedes novamente partiram mal e a dupla da Ferrari foi a luta, com Vettel pulando a frente e Kimi Raikkonen em segundo. Lewis Hamilton, o pole, se viu no clássico desespero pessoal e, numa tentativa de passar Nico Rosberg na chincane antes do carrossel, perdeu mão do carro e saiu da pista, perdendo muitas posições. Vettel seguia soberano a frente, numa corrida medida e inteligente.

Vettel e Raikkonen pulam sobre as Mercedes na largada. Manobra do alemão no início definiu o GP (Reuters)
Vettel e Raikkonen pulam sobre as Mercedes na largada. Manobra do alemão no início definiu o GP (Reuters)

A emoção na prova aumentou ainda mais depois do único safety-car da prova, provocado por um forte acidente de Nico Hulkenberg na volta 43, causado pela perda repentina do aerofólio dianteiro do Force India. A diferença de Vettel sumiu e as Mercedes, mais próximas do que nunca, foram a luta. Rosberg chegou a pular a frente de Raikkonen, mas Hamilton teve trabalho dobrado pra cima do combativo Daniel Riccardo, em dia inspirado na melhor corrida da Red Bull até agora no campeonato. Um belíssimo pega que acabou mal para o inglês, que teve que reparar a asa nos boxes e perdeu muitas posições.

Vettel voltou a seguir soberano na ponta e Riccardo partiu com a faca nos dentes pra cima de Rosberg. Briga que acabou com um prejuízo tremendo para o alemão, que foi tocado, furou o pneu e perdeu inúmeras posições, completando em oitavo. Hamilton, que até aquela altura via a diferença diminuir irremediavelmente saiu no lucro com o sexto lugar e levando no bolso 21 pontos de vantagem para o companheiro e contendor no campeonato. Para Rosberg foi uma espécie de bem feito diante da apatia que mostrou na pista.

Rosberg chega com o pneu furado aos boxes nas últimas voltas. Toque com Riccardo custou a aproximação a Hamilton no campeonato (AP)
Rosberg chega com o pneu furado aos boxes nas últimas voltas. Toque com Riccardo custou a aproximação a Hamilton no campeonato (AP)

As Red Bull também parecem ter esquecido, mesmo que momentaneamente, das crises com o motor Renault para fazer uma corrida muito combativa. Além do arrojo de Riccardo, Daniil Kvyat aproveitou-se bem das bolas divididas e abandonos e, mesmo tendo ordem da equipe pedindo que deixasse o companheiro australiano passar, conquistou um fabuloso segundo lugar, sendo o segundo russo a subir a um pódio na categoria. Max Verstappen também teve destaque, levando a Toro Rosso num irrepreensível quarto lugar, melhor resultado do jovem holandês até o momento.

Riccardo e Kvyat completaram em terceiro e segundo, respectivamente. Melhor prova da Red Bull no campeonato até agora (Getty Images)
Riccardo e Kvyat completaram em terceiro e segundo, respectivamente. Melhor prova da Red Bull no campeonato até agora (Getty Images)

No fim, muita alegria entre os mecânicos do time rosso, muitos sorrisos de Maurizio Arrivabene e uma dedicatória a Jules Bianchi em francês dentro do cockpit. O fim de semana foi de Seb Vettel, que também entrou para a história a faturar a 41ª vitória da carreira, igualando-se a Ayrton Senna.

Os 10 mais – Corrida

1 – Sebastian Vettel (Ferrari)
2 – Daniil Kvyat (Red Bull-Renault)
3 – Daniel Riccardo (Red Bull-Renault)
4 – Max Verstappen (Toro Rosso-Renault)
5 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
6 – Lewis Hamilton (Mercedes)
7 – Romain Grosjean (Lotus-Mercedes)
8 – Nico Rosberg (Mercedes)
9 – Jenson Button (McLaren-Honda)
10 – Marcus Ericsson (Sauber-Ferrari)

11 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)
12 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

Os 6 mais – campeonato

1 – Lewis Hamilton (202)
2 – Nico Rosberg (181)
3 – Sebastian Vettel (160)
4 – Valtteri Bottas (77)
5 – Kimi Raikkonen (76)
6 – Felipe Massa (74)

12 – Felipe Nasr (16)

 

Sem pontos para o Brasil, muitos pontos para a McLaren

Para os brasileiros no grid, o fim de semana foi tenebroso e difícil em Budapeste. Felipe Massa ainda sentia a dor da perda do amigo Bianchi, com quem tinha uma relação profunda desde os tempos da Ferrari. Na corrida, não largou bem e ainda teve um momento de emoção ao duelar com Lewis Hamilton pelo 10º posto. No fim, diante dos problemas do Williams, terminou fora dos pontos, em 12º. Se serve de consolo diante do pífio desempenho do time de Grove na Hungria, Valtteri Bottas acabou tendo um pneu furado em um toque com Verstappen quando era o quinto, e terminou apenas em 14º.

Massa chegou a duelar com Hamilton no início do GP. Williams teve um fim de semana tenebroso e terminou em 12º (AP)
Massa chegou a duelar com Hamilton no início do GP. Williams teve um fim de semana tenebroso e o brasileiro terminou em 12º (AP)

O xará de Massa, Felipe Nasr, não teve um fim de semana brilhante com o Sauber. Mesmo confirmado na equipe suíça  junto de Marcus Ericsson para a temporada de 2016, o brasiliense sofreu novamente com os freios e a estabilidade do carro helvético. Mas, ainda assim, saiu satisfeito do Hungaroring, completando a prova em um bom 11º. Ericsson, no entanto, chegou em 10º, somando um bom ponto para o time de Peter Sauber.

Se, para os brasileiros, o fim de semana foi perdido, para os nipo-britânicos da McLaren o GP foi muito proveitoso. Mesmo ainda envoltos nos problemas do motor Honda, sair do autódromo húngaro com boas colocações e os dois pilotos nos pontos (apesar dos pesares na parte da frente) foi um baita lucro.

Fernando Alonso começou o fim de semana sofrendo com o carro, a ponto de empurrar o bólido aos boxes no treino de sábado, mas completou a corrida com louvor em quinto lugar. Jenson Button também fez bem o papel de chegar ao final e terminou em nono. Para a Bélgica, próxima prova do calendário, Os japoneses já prometem um novo engenho ao carro, o que, depois de um fim de semana desses, põe um pouco mais de esperança nos torcedores do time de Working.

Alonso empurrando o McLaren nos treinos. Terminou num bom quinto (AFP)
Alonso empurrando o McLaren nos treinos. Terminou num bom quinto (AFP)

 

Homenagens ao “vivo” Nelson Piquet

Nem só a Bianchi foram as homenagens. Antes ainda dos carros fazerem o posicionamento no grid, o chefão da F1 Bernie Ecclestone e o tricampeão Nelson Piquet foram homenageados pela organização da prova com um desfile de carro aberto pelo autódromo. Hungaroring completa em 2015 30 anos de fundação e está no calendário da F1 desde 1986, tendo Piquet vencido a primeira prova disputada, onde ele e Ayrton Senna protagonizaram esta obra de arte abaixo:

Alias, os brasileiros tem presença cativa na história do autódromo. Depois dos britânicos, foi o país que mais venceu em Budapeste, com seis conquistas, duas com Piquet (1986 e 1987), três com Senna (1988, 1991 e 1992) e uma com Rubens Barrichello (2002). Foi à época, a única corrida de um país do leste europeu, e organizada ainda nos tempos do comunismo húngaro, algo histórico para a F1 naqueles idos.

Piquet com a taça no GP da Hungria de 1986. A primeira vitória no autódromo e a primeira das seis do Brasil em Hungaroring (UOL)
Piquet com a taça no GP da Hungria de 1986. A primeira vitória no autódromo e a primeira das seis do Brasil em Hungaroring (UOL)

A categoria para por um mês para as férias de verão na Europa. A próxima prova é no dia 23 de agosto, quando a F1 volta a Floresta das Ardenas e ao clássico Spa-Francorchamps, para o GP da Bélgica.

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