F1: No Barhein, Hamilton vence em dia de Raikkonen

Mesmo com Hamilton vencendo (mais uma), Raikkonen foi "o cara" da corrida (AP)
Mesmo com Hamilton vencendo (mais uma), Raikkonen foi “o cara” da corrida (AP)

Que Hamilton venceu mais uma corrida em 2015 isto já esta começando a virar rotina, salvo a Malásia. No entanto, o homem da prova em Sakhir não foi o imbatível inglês da Mercedes, mas um velho campeão que mostrou que sabe muito ainda e tem muito a mostrar. A bordo da cada vez melhor Ferrari, Kimi Raikkonen deu uma aula na pista, em estratégia e velocidade, e levou a escuderia de Maranello ao segundo lugar no deserto. Um pódio que não vinha desde o GP da Coréia do Sul de 2013, ainda correndo pela Lotus.

Hamilton parte na frente para vencer mais uma. Mas distância para a Ferrari diminui (AP)
Hamilton parte na frente para vencer mais uma. Mas distância para a Ferrari diminui (AP)

Cada vez mais próxima da Mercedes, a Ferrari fez uma prova combativa com Raikkonen e Sebastian Vettel, que largou na primeira fila e quase pulou a ponta na largada. O alemão parecia que ia comandar a corrida vermelha diante das flechas prateadas, mas foi de Raikkonen a jogada genial, ao trocar os pneus macios por compostos médios na primeira parada, o finlandês fez uma perna rápida de corrida, passou a frente do companheiro e partiu a busca das Mercedes.

Vettel (no meio) foi quem começou fustigando as Mercedes, mas terminou em quinto (AP)
Vettel (no meio) foi quem começou fustigando as Mercedes, mas terminou em quinto (AP)

Ao menos, de uma Mercedes. Enquanto Hamilton ainda liderava com certa folga, a luta de Raikkonen foi contra um perturbado Nico Rosberg, que tomou a prova em Sakhir como um divisor de águas para voltar a se aproximar do companheiro. O que parecia uma missão certa virou um pesadelo. O alemão da Mercedes se viu as voltas com o combativo Raikkonen, o passando duas vezes na prova, mas tomando o golpe de misericórdia nos últimos giros da corrida, ao passar reto diante do “iceman”.

Rosberg e Raikkonen, troca de ultrapassagens e voltas rápidas terminou melhor para o finlandês (AP)
Rosberg e Raikkonen, troca de ultrapassagens e voltas rápidas terminou melhor para o finlandês (AP)

Terminada a corrida, Hamilton saiu mais líder do campeonato do que entrou, colocando mais uma atuação fabulosa no bolso. Raikkonen passou a Felipe Massa na classificação geral e se credencia como mais um candidato a fustigar o time alemão. No entanto, quem não comemora nada é Rosberg, que sai do Barhein com mais pressão do que entrou, e mais abatido do que nunca diante da superioridade inegável do companheiro.

Massa apagado, Nasr sem pontos

Entre os brasileiros, um dia para esquecer por completo. Largando em uma boa posição, mesmo atrás de Bottas, Felipe Massa começou a corrida parado quando o motor do Williams apagou na saída para a volta de apresentação. Partindo dos boxes, o brasileiro teve de fazer uma encardida corrida de recuperação, sofrendo com a falta de rendimento do carro e com brigas suadas com Pastor Maldonado (Lotus) e Nico Hulkenberg (Force India).

Massa trava pneu em uma das curvas de Sakhir. Brasileiro saiu dos boxes e terminou apenas em 10º (AP)
Massa trava pneu em uma das curvas de Sakhir. Brasileiro largou dos boxes e terminou apenas em 10º (AP)

O 10º lugar foi ainda um prêmio para o esforço sem brilho de Massa, contrastando com a corrida correta de Bottas, que seguiu a mesma estratégia de Raikkonen e conseguiu um brilhante quarto lugar, a frente da Ferrari de Vettel. O ponto de Massa ainda foi-lhe um consolo diante da ruína da corrida que correu neste domingo. Felipe Nasr não poderá dizer o mesmo. Fora do Q3, o brasileiro da Sauber até ensaiou uma correta ultrapassagem sobre o compatriota da Williams, mas terminou mesmo uma 12ª posição, sem pontos.

Os 10 mais – Corrida:

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
3 – Nico Rosberg (Mercedes)
4 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
5 – Sebastian Vettel (Ferrari)
6 – Daniel Riccardo (Red Bull-Renault)
7 – Romain Grosjean (Lotus-Mercedes)
8 – Sergio Perez (Force India-Mercedes)
9 – Daniil Kvyat (Red Bull-Renault)
10 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

12 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

 

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Lewis Hamilton, 93
2 – Nico Rosberg, 66
3 – Sebastian Vettel, 65
4 – Kimi Raikkonen, 42
5 – Felipe Massa, 31
6 – Valtteri Bottas, 30

8 – Felipe Nasr, 14

 

Rapidinhas:

– No pelotão do meio, a corrida se salvou da monotonia com as ultrapassagens dos “botas” das equipes médias, que duelavam entre si por pontos mais, coisa comum diante do estado em que a F1 se encontra hoje. De nota, a boa corrida de Romain Grosjean, que alcançou a sétima posição com a Lotus, em contraposição ao sempre rebelde Maldonado, que acumulou mais um abandono na lista deste ano. Sérgio Perez também aproveitou a boa relação dos carros da Force Índia com a pista de Sakhir para somar três pontos com o oitavo posto.

Maldonado (a esquerda) e Verstappen duelando sob chuva das "sparks". No meio do pelotão, seguiam-se as ultrapassagens (AP)
Maldonado (a esquerda) e Verstappen duelando sob chuva das “sparks”. No meio do pelotão, seguiam-se as ultrapassagens (AP)

– A Red Bull, no entanto, anda numa posição incomoda demais para um time que, há apenas dois anos atrás, vencia tudo e todos. Riccardo completou a prova em sexto com as calças na mão e o engenho V6 da Renault estourando na reta de chegada. O companheiro do australiano Daniil Kvyat, foi ainda mais apagado, terminando em nono, sem aparecer muito na corrida.

– Ao menos, a Red Bull não pode reclamar de estar “tomando pauladas” da Toro Rosso. A equipe-satélite foi a única a abandonar por completo o GP. Talvez ainda falte um pouco mais de cabeça e maturidade a Verstappen e Sainz Jr., especialmente para conservar os carros até o fim da prova.

Riccardo estoura motor na chegada. Red Bull vive tempos melancólicos (Reprodução / Sky Sport
Riccardo estoura motor na chegada. Red Bull vive tempos melancólicos (Reprodução / Sky Sport

– Galvão Bueno continua fazendo propaganda do “impossível”. Escuta-lo com o discurso de “mais emoção” e “mais ultrapassagens”, sendo que o panorama da F1 passa diante dos olhos de todos, é quase como mentir de forma descarada. A F1 passa por um momento complicado como espetáculo, perdendo em emoção para categorias como a GP2 e a Fórmula E, coisa que nenhum apreciador de velocidade pode discordar diante do que vê. Pelo menos, o veterano dos microfones da Globo poupou-nos do clássico discurso de falsa esperança ufanista…pelo menos.

– E a McLaren? Escapou por pouco, muito pouco, de somar um ponto no Barhein. Sem Jenson Button, que teve uma pane violenta no carro e não conseguiu recupera-lo a tempo da prova, Fernando Alonso fez mais uma corrida burocrática, padrão dentro dos limites que o carro lhe impõe. Mesmo sem ver cumprida para o GP a promessa de potência plena da unidade de força por parte dos engenheiros da Honda, o espanhol andou como deu para andar e completou em um bom 11º lugar. Talvez, o papo de Working, de entregar carros competitivos até Mônaco parece ser verdade. Ou não, já que a prova no principado é a próxima depois do GP da Espanha, a corrida seguinte.

Guardados os carros, torcedores em casa e com o pensamento na próxima corrida, a F1 segue para Montmeló, Barcelona, a casa de todas as equipes, onde disputa o GP da Espanha daqui há duas semanas, no dia 11 de maio. Lembrando que os principais destaques, as corridas e a opinião sobre a categoria máxima do esporte a motor você vê aqui, no FAROL.

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