F1: Na Malasia, Vettel e Ferrari voltam as vitórias

Vettel vence na Malásia: O hino alemão volta a tocar para um piloto da Ferrari (Getty Images)
Vettel vence na Malásia: O hino alemão volta a tocar para um piloto da Ferrari (Getty Images)

O roteiro do fim de semana estava escrito para mais uma dominante corrida da Mercedes e, sobretudo, do soberbo Lewis Hamilton na 150ª prova da carreira. Apenas estava. Contra a força e consistência do conjunto alemão, eis que um outro alemão, empurrado por uma maquina “rossa” mudou a lógica e usou da estratégia para levar a si mesmo e a equipe que conduz de volta ao lugar mais alto do pódio após muito tempo. Foi assim a odisseia do “cavaleiro solitário” Sebastian Vettel no GP da Malásia, disputado no último domingo (29/03), no rapidíssimo circuito de Sepang. Ele, que junto da Ferrari, comemorou um primeiro lugar que não vinha para ambos desde 2013.

Foi, acima de tudo, uma vitória sentimental do alemão quatro vezes campeão da categoria. Ainda embalada pelos saudosos tempos de Michael Schumacher e da dupla perfeita com os bólidos de Maranello, a F1 recebeu com certa nostalgia e emoção a dupla Ferrari/Alemanha no alto do pódio. Uma vitória construída, se não na força do carro, ao menos na estratégia adotada pela Ferrari, que jogou melhor com os pneus e as paradas para dar o pulo do gato diante as Mercedes. Outra manobra que lembrou os saudosistas das táticas desconsertantes de Ross Brawn, quando este regia o carro de Schumacher nos anos 2000.

Raikkonen teve um bom desempenho na prova. Apenas foi traído por um pneu furado e contratempos diante de Rosberg (Getty Images)
Raikkonen teve um bom desempenho na prova. Apenas foi traído por um pneu furado e contratempos diante de Rosberg (Getty Images)

A vitória de Vettel ainda foi somada com a boa atuação de Kimi Raikkonen, que teria chegado em terceiro se não fosse traído com um pneu furado e alguns contratempos na briga com Nico Rosberg. O desempenho das maquinas vermelhas em Sepang evidenciou o que faltava-se comprovar desde os testes da pré-temporada. A Ferrari tem um excepcional carro, que tem como diferencial a economia dos pneus, o que permite pernas mais longas de corrida com o mesmo jogo. A vitória quebrou não apenas o jejum de Vettel, que não vencia desde o GP do Brasil de 2013, ainda quando pilotava para a Red Bull, mas especialmente o da Ferrari, que não sabia o que era vencer desde a conquista de Fernando Alonso, no GP da Espanha também em 2013.

Hamilton nos pits. Traido por um jogo de pneus duros e vencido na estratégia da Ferrari (Getty Images)
Hamilton nos pits. Traído por um jogo de pneus duros e vencido na estratégia da Ferrari (Getty Images)

No entanto, engana-se quem pensa que, enfim, a Mercedes tem um rival. Os carros prateados continuam sobrando e ainda serão presença constante nos pódios pela temporada afora. Mas, para toda equipe, ainda há tempo de melhorar monopostos em busca do equilíbrio ou, na pior das hipóteses, na proximidade entre os carros. Coisa que no pelotão intermediário há de sobra, e que tirou a corrida da quase monotonia, com brigas constantes, toques e rodadas.

Williams: Os problemas de 2014, outra vez

Quem esperava, no início da temporada, que seria a Williams a equipe a brigar com as Mercedes pelo título de 2015, deve certamente ter se frustrado com a sucessão de pequenos (e incômodos) problemas apresentados pelos bólidos de Groove na pista. Problemas com o desgaste dos pneus e a falta de mais potencia para os engenhos alemães foram as principais broncas de Valteri Bottas e Felipe Massa na pista malaia. O resultado, a queda de produção do time, que acabou ficando com o quinto e sexto lugares, respectivamente.

Massa sai dos boxes. Serviços de pit ruins, queda de rendimento. Problemas na Williams preocupam (Getty Images)
Massa sai dos boxes. Serviços de pit ruins, queda de rendimento. Problemas na Williams preocupam (Getty Images)

Massa fez uma prova combativa, procurando galgar posições principalmente na largada, onde disparou bem e quase alcançou num tiro só os quatro primeiros. No entanto, a inconsistência do conjunto da Williams, somada a péssimas trocas de pneu, fizeram o brasileiro suar sangue para conseguir garantir uma boa posição entre os seis primeiros. E ainda, atrás do companheiro Bottas, que galgou o quinto lugar com uma belíssima briga junto de Massa nas últimas voltas.

Rapidinhas: Agitos do pelotão intermediário

Enquanto as coisas fluíam com uma certa definição a frente, no miolo da corrida a emoção era um pouco maior. Com a volta da Lotus, o jogo entre as “outras equipes” ficou mais movimentado, com boas ultrapassagens, pegas, toques e escapadas. Foi nesse miolo que a Sauber, sensação da Austrália, andou a prova inteira.

– A Malásia não será de boas recordações para Felipe Nasr, que além de largar muito mal, completou em 12º e sentiu pela primeira vez a dureza de correr no pelotão intermediário com problemas. O companheiro, no entanto, mostrou velocidade e um tanto de afobação. Marcus Ericsson andou forte, combativo, mas passou dos limites ao sair reto na curva de saída da reta de largada de Sepang, logo nas primeiras voltas. Apesar de rápido, ainda tem muito a aprender, especialmente andando com um carro “de verdade”.

Riccardo e Kvyat em Sepang. Red Bull vive ano apático e sem brilho (Getty Images)
Riccardo e Kvyat em Sepang. Red Bull vive ano apático e sem brilho (Getty Images)

– De resto, a Red Bull continua o calvário junto aos anêmicos motores Renault. Para complicar, a situação da equipe anda tensa e Daniel Riccardo anda, desta vez, na posição de “Vettel” deste ano. Tomou um baile de ofensividade do atrevido Daniil Kvyat em Sepang e não consegue mais repetir os resultados consideráveis de 2014. A situação entre a equipe e a fornecedora francesa de motores é tão tensa que especula-se que a Renault cogita comprar a Toro Rosso, para voltar a ter um time próprio na F1 em 2016.

– A Lotus, enfim, estreou na F1. Mas, mesmo com uma maquina consideravelmente melhor que a de 2014, o problema mesmo ainda reside no impeto excessivo dos pilotos na pista. Romain Grosjean fez até a Force India de Sergio Perez rodar em uma tentativa de ultrapassagem, e foi o único carro do time preto-e-dourado a completar, e fora dos pontos. Pastor Maldonado, no entanto, abandonou o GP.

Lotus na pista em Sepang. Impeto de Grosjean e Maldonado ainda é o "problema maior" (LaF1)
Lotus na pista em Sepang. Impeto de Grosjean e Maldonado ainda é o “problema maior” (LaF1)

– Já a McLaren assistiu a estreia oficial de Fernando Alonso, recuperando 95% do acidente na pré-temporada. Mesmo com um desempenho caquético na pista, os engenheiros de Working vislumbram melhoras e progressos para o carro, que segundo eles, deve estar competitivo para o GP de Mônaco, no meio do ano. Bom para o espanhol e para Jenson Button, mas até chegar la há um longo caminho a percorrer, mesmo que lentamente.

– E, falando em “lentamente”, eis que a Manor resolveu largar em Sepang. Pelo menos com o espanhol Roberto Merhi, que não saiu do último lugar da prova e a completou a três voltas atrás do líder. Considerando a estrutura minuscula da perseverante equipe, o resultado foi bom diante das inúmeras dificuldades que ainda afligem a Manor na “volta dos mortos” deste ano. Will Stevens acabou não largando na Malásia, com problemas na bomba de gasolina do carro.

Manor (enfim) na pista, com Merhi, que terminou a prova (El Periodico del Mediterrâneo)
Manor (enfim) na pista, com Merhi, que terminou a prova (El Periodico del Mediterrâneo)

Há 35 anos: Piquet vencia pela primeira vez

E o último dia 30 de março marcou a passagem de uma data importante para os amantes da história da F1, especialmente dos pilotos brasileiros. Completou-se na data os 35 anos da primeira vitória de Nelson Piquet na F1. Foi no GP de Long Beach (EUA), em 1980 que o brasileiro da Brabham conseguiu o feito, fazendo uma corrida perfeita, sem erros nem ameaças, confirmando de vez a fama de bom piloto que já era. Além da vitória, Piquet cravou a melhor volta da prova, sem falar que, nos treinos, cravou a primeira pole da carreira.

Emerson ergue o braço e "passa o cetro" a Nelson Piquet, que vencia o primeiro GP da carreira, em Long Beach (EUA), 1980 (Rodrigo Mattar)
Emerson ergue o braço e “passa o cetro” a Nelson Piquet, que vencia o primeiro GP da carreira, em Long Beach (EUA), 1980. Há 35 anos. (Rodrigo Mattar)

Também foi naquele GP que Emerson Fittipaldi subiria pela ultima vez no pódio na F1. As voltas com o já superado Fittipaldi F7, o bicampeão mundial correu com a faca nos dentes para garantir o último lugar no grid de Long Beach. Antes da prova, foi possível ouvir Wilson Fittipaldi, irmão de Emerson e chefe da equipe, esbravejar: “Amanha, pega esta m… e manda bala na corrida. Se não der mais, a gente aposenta o F7”. O resultado foi maior do que a encomenda. Emerson fechou em terceiro uma brilhante corrida, beneficiado também por várias quebras.

A corrida também foi a última da carreira do suíço Clay Regazzoni. A bordo da modesta Ensign, o piloto acabou perdendo o controle e batendo forte no muro e na Brabham do companheiro de Piquet – o argentino Ricardo Zunino – parada na área de escape. Rega acabou com várias fraturas, inclusive na 12ª vértebra, o que o deixou irremediavelmente paralítico. Clay conviveu com a sequela do acidente até dezembro de 2006, quando faleceu em um acidente automobilístico na Itália.

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