F1: Ex-chefe de equipe Guy Ligier morre aos 85 anos

Guy Ligier nos últimos tempos. Ausente dos autódromos, mas para sempre lembrado na F1 e no automobilismo francês (AP)
Guy Ligier nos últimos tempos. Ausente dos autódromos, mas para sempre lembrado na F1 e no automobilismo francês (AP)

E o domingo de F1 termina de luto com a morte de um dos mais importantes personagens da história da categoria. Faleceu aos 85 anos Guy Ligier, fundador da equipe homônima, uma das mais tradicionais e importantes do circo. As causas da morte não foram divulgadas.

Natural da simpática Vichy, palco histórico da Segunda Guerra Mundial (a cidade era capital do estado-fantoche criado pelos nazistas na ocupação da França), Guy chegou a ser piloto de F1 durante os anos 60, tendo conseguido apenas um ponto em 13 corridas disputadas entre a Cooper-Maserati e a Brabham-Repco. Piloto irrelevante, Ligier partiu para criar a própria equipe, tendo comprado na primeira metade dos anos 70 o espólio da Matra, que abandonara a F1 em 1972.

Primeiro F1: Em 1976, Jacques Laffite acelera o "carro-bule", com motor Matra V12. Primeira vitória viria um ano depois, na Suécia (Reprodução)
Primeiro F1: Em 1976, Jacques Laffite acelera o “carro-bule”, com motor Matra V12. Primeira vitória viria um ano depois, na Suécia (Reprodução)

A equipe estreou em 1976, com Jacques Laffite no comando do apelidado carro-bule com motor Matra V12, um dos roncos mais belos da categoria. A primeira vitória veio em 1977, no GP da Suécia, com o mesmo Laffite. Entre 1977 e 1981, o time de Vichy viveu o ápice, chegando a disputar campeonato de pilotos, fechando os campeonatos de construtores de 1979 e 1980 em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Foi a primeira, antes da Renault, a sonhar com o título de um conjunto carro-motor-piloto franceses.

Raul Boesel em 1983. Ele e Pedro Paulo Diniz foram os únicos brasileiros a correr pela Ligier (Sutton)
O paranaense Raul Boesel em 1983. Ele e Pedro Paulo Diniz foram os únicos brasileiros a correr pela Ligier (Sutton)

Após 1981, a Ligier viveu momentos de altos e baixos, mais baixos do que altos, as voltas com projetos equivocados, pilotos duvidosos e poucos resultados. O último momento de grandeza do time foi no último ano de disputas na categoria, em 1996. Naquele ano, Olivier Panis foi o vencedor do complicado GP de Mônaco, em que só três terminaram na pista. Panis tinha naquele ano o brasileiro Pedro Paulo Diniz como companheiro de equipe. Um dos dois brasileiros que defenderam o azul francês do time. O primeiro fora Raul Boesel, fazendo dupla com o também francês Jean-Pierre Jarier em 1983.

Mônaco, 1996. Panis carrega a bandeira pelas ruas de Monte Carlo. Celebra a primeira (e unica) vitória da carreira, a última da Ligier (Reprodução)
Mônaco, 1996. Panis carrega a bandeira francesa pelas ruas de Monte Carlo. Celebrava a primeira (e unica) vitória da carreira, a última da Ligier (Reprodução)

A equipe foi totalmente vendida em 1996 ao tetracampeão Alain Prost, que fundo a Prost Grand Prix, durada até 2002. O nome Ligier, no entanto, havia voltado ao automobilismo nas provas de endurance nos últimos anos. Já Guy Ligier foi visto com pouca frequência nos autódromos, mas deixando uma marca indelével na história da F1 e do automobilismo francês.

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