F1: Entre incertezas e polêmicas, vem ai a temporada 2015

Merecedes, de Lewis Hamilton, sobra nos treinos. Preve-se certeiramente o repeteco do domínio do time alemão em 2015 (Getty Images)
Mercedes, de Lewis Hamilton, sobra nos treinos. Preve-se certeiramente o repeteco do domínio do time alemão em 2015 (Getty Images)

Motores quentes, prontos para roncar. Pilotos preparados, equipes afiadas, emissoras de TV armadas até os dentes para a transmissão do primeiro embate da temporada. Algo comum em qualquer início de campeonato na F1. Mas, as normalidades param por ai.

Pela primeira vez depois de tantos anos, o que mais movimenta a F1 para o início da temporada de 2015 não está, necessariamente, dentro da pista do Albert Park, em Melbourne (AUS). Desde a conturbada guerra FISA-FOCA, entre 1980 e 1982, que uma temporada não começa “antes da largada”, com polêmicas, incertezas e problemas como esta está começando e “causando” entre os fãs.

Muito longe da superioridade da Mercedes, que parece ser uma certeza cada vez mais veemente a cada volta das flechas de prata no traçado “quase de rua” de Albert Park, o ambiente da F1 continua a convulsão entre as duas últimas grandes bombas que perturbam o pensamento de equipes, pilotos, jornalistas e fãs da categoria. Mas, para melhor entender o turbilhão de emoções que move a temporada antes mesmo da largada, vamos por partes em algumas delas:

18 carros no grid? Menos que isso? E a Marussia?

Imersa no temor de chegar a Austrália com apenas 18 carros no grid, a F1 assistiu o debater de equipes em crise financeira e que lutavam contra o tempo para colocar na pista os novos bólidos para a temporada. A primeira convulsão foi a da Sauber. O tradicional time suíço, que neste ano completa 22 anos de categoria, passou pelo momento mais apertado e complicado da história do team.

O brasileiro Felipe Nasr e o Sauber C34. Mesmo com problemas financeiros e de desenvolvimento, novo bólido deve angariar pontos ao time suíço em 2015 (Getty Images)
O brasileiro Felipe Nasr e o Sauber C34. Mesmo com problemas financeiros e de desenvolvimento, novo bólido deve proporcionar alguns pontos ao time suíço em 2015 (Getty Images)

Com dívidas sufocantes e as voltas com um projeto mal-concebido em 2014, o team de Peter Sauber ameaçou cair num abismo sem fim, quebrado no início dos testes em Jerez com as primeiras voltas do C34. O brasileiro Felipe Nasr e o sueco Marcus Ericsson mostraram que, além de polpudas verbas de patrocínio para quitar dívidas, trouxeram também um promissor talento e mostraram algumas qualidades do carro, concebido quase as pressas.

Tendo a Sauber segura, a F1 voltou, quase que ao mesmo tempo, a prender a respiração com a situação complicada da Force Índia, que apresentou o novo carro apenas nos últimos dias de testes da pré-temporada, em Barcelona. Em princípio, a equipe indiana se viu presa também em dívidas e tendo a participação na temporada ameaçada, até mesmo por situações complicadas envolvendo o chefe da equipe, Vijay Mallya, com o governo da Índia. Por hora, outro susto, mas nada que possa fazer o projeto ainda fresco se tornar promissor em pouco tempo.

Force India na pista de Melbourne. Equipe passou maus bocados judiciais e financeiros, além de apresentar o novo carro no fim da pré-temporada (Getty Images)
Nico Hulkenberg (ALE) e o Force Índia na pista de Melbourne. Maus bocados judiciais e financeiros adiaram o lançamento do novo carro para o fim da pré-temporada (Getty Images)

Por último, a F1 acompanhou com uma angustia um tanto “mandrake” os problemas da Manor/Marussia para participar da temporada 2015. Saída da administração judicial no início de fevereiro, o pequeno time correu contra o tempo para adaptar o velho carro de 2014 para o novo regulamento. Isto enquanto o novo bólido vai sendo construído (quase as pressas). Para a tarefa de pilotar o novo carro estão escalados o inglês Will Stevens e o espanhol Roberto Merhi, que, ao menos, terão uma espécie de “vitrine” para se apresentar a categoria.

Eis a Manor/Marussia na Australia. Primeira missão do ano foi cumprida e responsabilidade de correr cabe ao ingles Will Stevens e ao espanhol Roberto Merhi (Albert Fabrega)
Eis a Manor/Marussia na Australia. Primeira missão do ano foi cumprida e responsabilidade de correr cabe ao inglês Will Stevens e ao espanhol Roberto Merhi (Albert Fabrega)

Abaixo de vetos, contrariedades e problemas, a equipe conseguiu cumprir o objetivo mirado desde que voltou a andar com as próprias pernas. Mas, para quem bem sabe, será apenas uma equipe para “fechar o grid”, o que prova que a F1 passa por um momento turbulento para equipes novatas e construtores sonhadores que anseiam por um espaço no circo. Se 2015 terminar com 18 carros no grid, não será surpresa alguma.

O que houve com Alonso (de verdade)?

De princípio, parecia um acidente corriqueiro, uma daquelas escapadas que simplesmente acontece em qualquer momento para um piloto. Mas a movimentação que seguiu-se segurou a respiração do circo. Isto porque quem estava no foco do resgate era o espanhol Fernando Alonso, que colidiu contra o muro da curva 4 do autódromo de Barcelona por motivos que, a exceção dos da McLaren, poucos creem que sejam eles.

Depois de alguns dias se recuperando, Alonso deixou o hospital e parecia inteiro, disposto a continuar treinando e se preparando para a re-estréia no time de Working. No entanto, a decisão do time e do preparador físico do piloto de “pular” o GP da Austrália surpreendeu a todos. No acidente, Alonso sofreu, no acidente, uma concussão cerebral e iria ficar um GP de molho para garantir uma plena recuperação.

Resgate a Fernando Alonso na Espanha. Ate hoje a F1 se pergunta o que de fato aconteceu com o espanhol dentro do McLaren (Mark Thompson / Getty Images)
Resgate a Fernando Alonso na Espanha. Ate hoje a F1 se pergunta o que de fato aconteceu com o espanhol dentro do McLaren em Barcelona (Mark Thompson / Getty Images)

No entanto, o que parecia ser uma simples notícia chocante acabou virando o estopim para várias especulações e desconfianças sobre a causa do acidente do espanhol. A McLaren afirmou diversas vezes que uma explosão no sistema de reserva de energia cinética (MGU-K), ou o popular “Kers” foi o que causou a escapada de pista de Alonso. A versão não convenceu ninguém nos corredores da categoria, incluindo o próprio “chefão”, Bernie Ecclestone.

Dentre algumas, a mais comentada das suposições sobre o acidente foi de que Alonso tinha sofrido uma descarga elétrica de 6 mil volts dentro do cockpit do carro, o que teria provocado a concussão. A imprensa européia chegou também a afirmar que, no hospital, Alonso teria acordado da breve inconsciência falando italiano e acreditando estar ainda correndo pela Ferrari, o que assustou ainda mais os fãs da categoria. De susto em susto, a explicação real do acidente do espanhol segue nebulosa, e Alonso, com bem sabemos, não dará as caras em Melbourne.

Van Der Garde quer correr

E, quando tudo parecia estar um pouco mais “tranquilo” no circo, eis que a Sauber, outrora em evidencia por conta da preocupante situação financeira, volta a ser a bola da vez da imprensa especializada e da categoria. Tudo por conta de um processo movido pelo piloto holandês Giedo Van Der Garde contra o time exigindo uma vaga para correr na equipe. A motivação teria sido uma espécie de “pré-contrato” assinado com o time suíço ainda em 2014 para esta temporada.

Mesmo com as vagas fechadas nas mãos de Felipe Nasr e Marcus Ericsson, Van Der Garde deu de ombros para a situação embaraçosa em que ficou a Sauber, moveu a ação e…ganhou, para choque de todo o circo. Até o início dos treinos livres não se sabia a decisão que o team tomaria diante da situação. A Sauber alegou que não tinha como acatar a ordem por várias razões. Entre elas, o fato de Van Der Garde estar “despreparado” para correr com o carro da equipe.

Van Der Garde deixa a corte de Victória. Piloto colocou a Sauber em maus lençois, mas acabou saindo com fama de "Dick Vigarista" (EFE)
Van Der Garde deixa a corte de Victória. Piloto colocou a Sauber em maus lençois, mas acabou saindo com fama de “Dick Vigarista” (EFE)

O clima ficou tenso e ninguém sabia quem veria nos boxes do time suíço em Melbourne. No dia D, Nasr e Ericsson foram a pista normalmente, enquanto Van Der Garde passava por maus bocados e situações complicadas nos bastidores do Albert Park. Esperou para entrar no paddock, foi sumariamente ignorado pelos mecânicos do team e, no último suspiro, teve que engolir a retirada do processo movido contra a equipe da corte de Victória (AUS), onde corria o processo.

Se pode ser dito que a Sauber tem parcela de culpa no imbróglio, isto não deixa de ser verdade, já que no caso faltou uma espécie de gerência e cuidado administrativo na hora de acertar os rumos da temporada seguinte. No entanto, Van Der Garde, que chegou a entrar nos boxes da equipe e “vistoriar” o carro de Ericsson, acabou deixando o autódromo com a fama de “Dick Vigarista” da temporada. Se a carreira, que já não era muito talentosa, acabou ainda mais manchada pela pendenga judicial, o holandês pode se “orgulhar” de ter entrado para a história como o primeiro piloto a entrar na justiça para ter o direito de correr.

Rapidinhas:

– Só para lembrar aos fãs da McLaren. Recordam-se da promessa de Ron Dennis de mudar a pintura estilo “Marussia Premium” do carro para a temporada? Ao menos, na Austrália, o cinza e vermelho continuam no carro. Resta esperar as próximas corridas para ver se a equipe de Working cumprirá a promessa…ou que prometeu a mudança como um despiste diante do protesto dos fãs.

Magnussen, substituindo Alonso, e o McLaren-Honda. Promessa de troca de pintura não foi cumprida (ainda) (Getty Images)
Kevin Magnussen (DIN), substituindo Alonso, e o McLaren-Honda. Promessa de troca de pintura não foi cumprida (ainda) (Getty Images)

– E no dia 8 passado foi celebrado o Dia Internacional da Mulher. Na história da F1, oito botas femininas passaram pela categoria. Desde a pioneira italiana Maria Tereza de Filippis, em 1958, até a recem-chegada espanhola Carmen Jordá, pilota de testes da Lotus. No entanto, a primazia da história coube apenas a Lella Lombardi, pilota italiana que até hoje é a unica a pontuar na F1, conquistando 0,5 ponto no GP da Espanha, em 1975. E é ela que ilustra nossa homenagem a todas as mulheres que não se intimidam diante das sinuosas pistas do mundo.

Lella Lombardi e o cabelo "estilo joãozinho". A pilota é a única mulher a pontuar na F1, há 40 anos (Reprodução)
Lella Lombardi e o cabelo “estilo joãozinho”. A pilota é a única mulher a pontuar na F1, há 40 anos (Reprodução)

– E para encerrar, lembrando aos amigos que os principais lances da temporada 2015 estarão aqui no FAROL, fica um som do passado. No tempo que conquistas do esporte (leia-se futebol) inspiravam os compositores no Brasil, eis que um deles cantou um “ode” a Emerson Fittipaldi. De Zé Roberto, “Lotus 72D”.

https://youtu.be/pr8jZ3TD82M

Um abraço e até domingo!

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