F1: Depois de nove meses em coma, morre o piloto Jules Bianchi

(AFP)
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21 anos depois da F1 experimentar, amargamente, as mortes do tricampeão Ayrton Senna e do jovem Roland Ratzenberger, a categoria máxima do automobilismo mundial volta a sentir a perda de um piloto. Faleceu as 2h44 de sábado na França (21h44 de sexta-feira, no Brasil), aos 25 anos de idade, o piloto francês Jules Bianchi.

Ele estava internado desde outubro na UTI do Hospital Universitário de Nice, em coma depois do grave acidente que sofreu durante o GP do Japão do ano passado. O comunicado da morte foi dado pela família do piloto, que há alguns dias disse que o estado de saúde do filho era “pior do que se tivesse morrido”.

Primeiro fruto do programa de desenvolvimento de jovens pilotos da Ferrari, Bianchi era envolvido com automobilismo desde 2007, quando iniciou a carreira no kart e, logo depois, ascendeu a F-Renault, onde foi campeão no ano seguinte, Evoluindo constantemente, em 2010, conquistaria o título da difícil F-3 Européia. Em 2014, foi companheiro do inglês Max Chilton no caquético carro da Marussia, impulsionado pelo motor da casa de Maranello, que usou o motor como moeda de troca para conseguir o cockpit para o francês na equipe russo-britânica.

Jules Bianchi (FRA) and the Marussia F1 Team celebrate his and the team's first ever F1 points with his ninth place finish. 25.05.2014. Formula 1 World Championship, Rd 6, Monaco Grand Prix, Monte Carlo, Monaco, Race Day.
Alegria: Carreira promissora de Bianchi tinha continuidade na pequena Marussia, que levou em 2014 ao nono lugar em Mônaco, primeira e unica vez do time na zona de pontos (Marussia/Divulgação)

Ainda na temporada passada mostrou uma pitada do talento que tinha, ao levar o bólido preto-e-laranja aos primeiros pontos da história do team, com um nono lugar nas estreitas ruas de Mônaco. Tudo seguia-se tranquilamente na carreira promissora do jovem francês, até a fatídica prova em Suzuka, em outubro.

O acidente e as estatísticas

Era a volta 43 da prova nipônica quando Bianchi perdeu o controle do carro na curva 7 e acertou o trator que retirava, do mesmo local, o Sauber do alemão Adrian Sutil, acidentado na volta anterior. Os primeiros socorros foram feitos ainda na pista. Imediatamente, o francês foi levado ao Centro Médico da cidade de Mie, onde foi submetido a uma cirurgia de quatro horas. O boletim médico divulgado pela Marussia informou que Bianchi sofrera uma lesão axonal difusa. Um dano amplo e devastador e que, em mais de 90% dos casos, deixa as vítimas em coma definitivo. A prova foi interrompida logo depois do incidente.

Bianchi é o 47º piloto a morrer na história da F1 desde a criação da categoria, em 1950. Os últimos, como dito no início da matéria, foram Roland Ratzenberger (AUT) e Ayrton Senna (BRA), no fim de semana do GP de San Marino, em 1994. Já o último francês a perder a vida na categoria foi Patrick Depailler, quando se acidentou com a Alfa Romeo durante os testes de pneus em Hockenheim, Alemanha, em 1980.

Entre os autódromos com registros de acidentes fatais na F1, este é o primeiro da história de Suzuka desde que se tornou parte do circo, em 1987.O circuito com mais fatalidades na história da categoria é Indianápolis (EUA), quando este fazia parte do calendário. Foram oito vitimas, todos pilotos americanos.

Desde Ayrton Senna (foto), nenhum piloto morrera na F1 durante um fim de semana de GP. Bianchi é o 47º na história da categoria e o primeiro desde 1994 (Divulgação)
Desde Ayrton Senna (foto), nenhum piloto morrera na F1 durante um fim de semana de GP. Bianchi é o 47º na história da categoria e o primeiro desde 1994 (Divulgação)

Os autódromos de Interlagos e Jacarepaguá nunca registraram uma morte em um fim de semana de F1. No entanto, passou perto em 1989, quando o francês Phillipe Streiff bateu forte o AGS que pilotava durante os testes de pneus da pré-temporada no autódromo carioca. O piloto sofreu uma gravíssima lesão na coluna vertebral por conta da quebra do santantônio do carro. As lesões, somadas ao péssimo atendimento médico no momento do resgate e no hospital, deixaram o piloto tetraplégico.

A família de Bianchi, no mesmo comunicado oficial da morte, pediu apenas respeito e privacidade e agradeceu o apoio dos médicos e dos fãs no mundo inteiro. Leia:

“Jules lutou até o final, sempre o fez, mas hoje a luta chegou ao fim. A dor que sentimos é imensa e indescritível. Queremos agradecer a equipe do hospital de Nice que cuidou dele com amor e dedicação. Também queremos agradecer a equipe do Centro Médico de Mie, que cuidou dele logo depois do acidente, assim como os outros doutores que se envolveram nisso com carinho nos últimos meses

Além disso, queremos agradecer os colegas de Jules, amigos, fãs e todo mundo que demonstrou seu afeto ao longo dos últimos meses, o que nos deu grande força e nos ajudou a lidar com tempos tão difíceis. Ouvir e ler tantas mensagens nos fizeram perceber como Jules tocava os corações e mentes de tanta gente ao redor do mundo

Queremos pedir que nossa privacidade seja respeitada durante esse tempo difícil, enquanto tentamos lidar com a perda de Jules”

Jules Bianchi (1989-2015)

(Getty Images)
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