Eduardo Campos: outra tragédia aérea na política brasileira

Local da queda do Cessna de Eduardo Campos. Morte do presidenciável parou o país (G1).
Local da queda do Cessna de Eduardo Campos. Morte do presidenciável parou o país (G1).

O Brasil foi tomado de assalto na manhã desta quarta-feira (13/8) quando muitos, acompanhavam, atônitos e chocados, o desenrolar de uma das maiores tragédias da política brasileira nos últimos tempos. Vitimado pela queda repentina do jato Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, no bairro do Boqueirão na cidade de Santos (SP), o candidato a presidência pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, já entra para as estáticas da história nacional de políticos mortos em acidentes aéreos.

O acidente aconteceu por volta das 10h da manhã, quando o jato, de propriedade da AF Andrade Empreendimentos e Participações LTDA, voltava do Rio de Janeiro para o Guarujá, em São Paulo. Campos havia participado na noite passada das sabatinas do Jornal Nacional, pela Rede Globo, e do Jornal das 10, da Globo News. Ao se aproximar da pista do Aeroporto de Guarujá, a aeronave arremeteu o pouso por conta do mal tempo, e não demoraria muito para o Cessna desviar seu curso e cair misteriosamente na movimentada área residencial do bairro Boqueirão, em Santos, silenciando assim o ímpeto do neto do ex-governador pernambucano Miguel Arraes que sonhava com o cargo máximo da política nacional.

Cessna 560-XL identico ao usado por Campos em sua derradeira viagem. Uma das aeronaves mais modernas do mundo (Airliners.net)
Cessna 560-XL identico ao usado por Campos em sua derradeira viagem. Uma das aeronaves mais modernas do mundo (Airliners.net)

A morte de Campos, no entanto, não é exceção na história recente da política brasileira. O abalo que sofre o estado de Pernambuco, onde era governador, foi o mesmo que Santa Catarina sentia em junho de 1958, quando três políticos do estado foram vítimas do que é considerado o maior acidente aéreo registrado no estado do Paraná.

O ex-presidente Nereu Ramos, o então governador Jorge Lacerda e o então deputado federal pelo estado, Leoberto Leal, estavam chegando ao destino final de sua viagem, a cidade de Curitiba, depois de saírem de Porto Alegre e fazer escala em Florianópolis. Atingido por uma forte corrente de ar, a aeronave perdeu o controle e caiu em São José dos Pinhais, região metropolitana da capital paranaense. Muitos, até hoje, acreditam que o acidente mudaria de forma indelével a história política de Santa Catarina e marcou de luto os paranaenses, consternados com a tragédia.

Convair CV-440 da Cruzeiro do Sul. Em um avião identico a história política de Santa Catarina seria fatalmente transformada (Airliners.net)
Convair CV-440 da Cruzeiro do Sul. Em um avião identico a história política de Santa Catarina seria fatalmente transformada (Airliners.net)

11 anos depois da tragédia no Paraná, outro acidente aéreo mobilizaria as atenções dos brasileiros, e mais uma vez a vitima era um ex-presidente. No dia 18 de julho de 1967, o avião Piper Aztec, prefixo PP-ETT, transportava o então ex-presidente e Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, do sítio da escritora Rachel de Queiroz para a cidade de Quixadá, ambos no Ceará. Próximos da capital, Fortaleza, o avião foi atingido pela ponta da asa de um caça Lockheed TF-33, da Força Aérea Brasileira (FAB).

Destroços do Piper Aztec PP-ETT, queda da aeronave vitimaria o ex-presidente Castello Branco, em 1967 (Cultura Aeronautica)
Destroços do Piper Aztec PP-ETT, queda da aeronave vitimaria o ex-presidente Castello Branco, em 1967 (Cultura Aeronautica)

O choque fez o Piper perder a deriva e cair em parafuso em uma mata fechada. Das seis pessoas a bordo, apenas o co-piloto da aeronave, Emílio Celso Chagas, sobreviveu ao acidente. Durante algum tempo, a versão oficial dava como causa da tragédia um simples acidente de percurso, mas muitos estudiosos levantam a possiblidade de um atentado tramado contra Castello Branco, que defendida a entrega do poder aos civis assim que seu mandato terminasse, contrariando as posições da chamada “Linha Dura” do Exercito, que pretendida prolongar o regime por tempo indeterminado para “garantir a segurança nacional”.

Já em 1992, outro acidente fatal marcaria a história política nacional. Desta vez, da recentíssima democracia, conquistada a duras pernas pelos brasileiros e simbolizada na figura da vítima da tragédia, o então deputado federal Ulysses Guimarães. O helicóptero onde estava partiu as 15h30 do dia 12 de outubro e faria um voo apenas visual, partindo de Angra dos Reis (RJ) com destino a São Paulo, sem definição de rota.

Ulysses Guimarães, "Senhor Diretas" e um dos pais da Constituição de 1988, morto em um acidente de helicóptero, em 1992 (Band)
Ulysses Guimarães, “Senhor Diretas” e um dos pais da Constituição de 1988, morto em um acidente de helicóptero, em 1992 (Band)

Com o tempo em péssimas condições, o piloto da aeronave tentava voar baixo para evitar a ação da chuva de granizo que se abatia no local, procurando não cruzar a traiçoeira neblina da serra. O helicóptero modelo Esquilo, prefixo PT-HMK, desapareu nas águas do mar carioca, levando com ele Guimarães e todos os tripulantes. Muitos acreditam na ação de uma onde magnética causada pelas rochas de Ilhabela, que impossibilitavam qualquer possibilidade de identificação. Na mesma Ilhabela, fora encontrado por pescadores uma parte da fuselagem do helicóptero, porem, nunca houve sinal do corpo do conhecido “Senhor Diretas” e de nenhum dos outros passageiros.

Deixe um comentário

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome