Dificuldades no aleitamento materno: quais são e como cuidar?

(Flickr/ Aurimas Mikalauskas)
Guia apresenta manejo dos principais problemas relacionados à amamentação (Flickr/ Aurimas Mikalauskas)

Alguns problemas podem ocorrer durante o aleitamento materno (AM). Se não forem prontamente identificados e tratados, podem ser importantes fontes de ansiedade e sofrimento, podendo culminar com a interrupção da amamentação.

Em um guia voltado para os profissionais de saúde que lidam com o recém-nascido, o Ministério da Saúde aborda aspectos relevantes para a prevenção, o diagnóstico e o manejo dos principais problemas relacionados à amamentação. Confira:

Bebê que não suga ou tem sucção débil

Não é raro recém-nascidos (RNs), aparentemente normais, não sugarem ou apresentarem sucção débil, ineficaz, logo após o nascimento. Essa condição pode durar poucas horas ou dias. Neste caso, as mães devem estimular as mamas (por ordenha manual ou bomba) no mínimo cinco vezes ao dia para garantir a produção de leite. Com o bebê, é importante insistir nas mamadas por alguns
minutos cada vez, observar se ele está bem posicionado e com a boca bem aberta, e suspender o uso de chupetas e mamadeiras. Como o leite da mamadeira flui facilmente desde a primeira sucção, a criança pode estranhar a demora de um fluxo maior de leite no início da mamada.

Exercícios simples com o bebê, como a introdução do dedo mínimo na sua boca, com a ponta tocando na junção do palato duro com o palato mole, podem estimulá-lo a sugar.

Demora na descida do leite (apojadura)

Em algumas mulheres a apojadura só ocorre alguns dias após o parto. Nesses casos, a mãe deve utilizar o sistema de nutrição suplementar (translactação), o qual consiste de um recipiente (copo ou xícara) contendo leite (de preferência leite humano pasteurizado), colocado na altura das mamas da mãe e conectado ao mamilo através de uma sonda. A criança, ao sugar o mamilo, recebe o suplemento. Dessa maneira o bebê continua a estimular a mama e sente-se gratificado ao sugar o seio da mãe e ser saciado.

Mamilos planos ou invertidos

Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não necessariamente a impedem, pois o bebê pode fazer o “bico” com a aréola. Para comprovar se os mamilos são invertidos pressiona-se a aréola entre o polegar e o dedo indicador: se o mamilo for invertido, ele se retrai; caso contrário, não é mamilo invertido.

A mãe que tem mamilos planos ou invertidos deve tomar as seguintes medidas para conseguir amamentar com sucesso: ordenhar seu leite enquanto o bebê não sugar efetivamente, para manter a produção do leite; deixar as mamas macias, para facilitar a pega; tentar diferentes posições para ver em qual delas ambos se adaptam-se melhor; estimular manualmente o mamilo; e excepcionalmente lançar mão dos intermediários de silicone, quando todas as tentativas de fazer a criança sugar na mama se mostraram ineficientes.

Trauma mamilar

Eritema, edema, fissuras, bolhas, manchas brancas, amarelas ou escuras, hematomas ou equimoses são as diversas manifestações do trauma mamilar, cujas causas mais comuns são posicionamento e/ou pega inadequados durante as mamadas. Outras causas incluem mamilos curtos, planos ou invertidos, disfunções orais na criança, frênulo lingual excessivamente curto, sucção não nutritiva prolongada e uso impróprio de bombas de extração de leite.

A mãe com algum trauma mamilar deve sempre iniciar a mamada pela mama menos afetada, ordenhar um pouco de leite antes da mamada (o suficiente para desencadear o reflexo de ejeção de leite, evitando dessa maneira que a criança tenha que sugar muito forte no início da mamada para desencadear o reflexo), utilizar analgésicos sistêmicos por via oral, se necessário, e aplicar o próprio leite materno ordenhado nos mamilos machucados.

Candidíase

A infecção da mama por Candida sp no puerpério é bastante comum. A infecção pode atingir só a pele do mamilo e da aréola ou comprometer os ductos lactíferos. Costuma manifestar-se por prurido, sensação de queimadura e dor em agulhadas nos mamilos, que persistem após as mamadas.

Além do uso de medicamentos que tratem simultaneamente a mãe e o bebê (mesmo que este não apresente sinais evidentes de candidíase), cuidados gerais como enxaguar os mamilos e secá-los ao ar após as mamadas; expor os mamilos à luz por pelo menos alguns minutos por dia; e eliminar o uso de chupetas e bicos de mamadeira ou fervê-los por 20 minutos pelo menos uma vez ao dia, quando não for possível a sua retirada, são eficazes no tratamento.

Mastite

Mastite é um processo inflamatório que acomete um ou mais segmentos da mama, podendo progredir ou não para uma infecção bacteriana, mais comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus). Ocorre mais frequentemente na segunda e terceira semanas após o parto, e raramente após a 12ª semana.

Nem sempre é fácil distinguir a mastite infecciosa da não infecciosa apenas pelos sinais e sintomas. Em ambas, a parte afetada da mama encontra-se dolorosa, vermelha, edemaciada e quente. Quando há infecção, o quadro costuma estar acompanhado por mal-estar importante, febre alta (acima de 38°C) e calafrios.

A produção de leite pode estar afetada na mama comprometida, com diminuição do volume secretado durante vários dias. O sabor do leite materno costuma alterar-se, tornando-se mais salgado, o que pode ocasionar rejeição do leite pela criança.

O tratamento da mastite deve ser instituído o mais precocemente possível, para que essa condição não evolua para abscesso mamário. Além do uso de antibiótico, fazem parte do tratamento da mastite: a manutenção da amamentação e o esvaziamento adequado da mama, preferencialmente por intermédio de sucção pelo bebê.

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