Copa 2014 – De onde vem a Colômbia?

O envolvente e forte futebol colombiano, sensação da copa 2014 (UOL)
O envolvente e forte futebol colombiano, sensação da copa 2014 (UOL)

Terra da poesia de Gabriel Garcia Marquez, do rebolado hipnotizante de Shakira, da Cúmbia e do café mais apreciado da América Latina (até mais do que no Brasil). Assim são as marcas da Colômbia dos dias atuais que chega pela primeira vez em sua história no futebol a uma fase quartas de final em uma Copa do Mundo. O feito de sábado (28/6), vencendo categoricamente ao Uruguai no Maracanã, não só espantou o apelidado “fantasma de 1950” como também confirmou a equipe como uma das grandes sensações do torneio.

Torcedores em Bogotá, capital colômbiana, apesar de ser a quarta maior economia, desigualdade e narcotráfico afligem o país (Correio do Povo)
Torcedores em Bogotá, capital colômbiana, apesar de ser a quarta maior economia, desigualdade e narcotráfico afligem o
país (Correio do Povo)

Um país tão grande como a seleção que o representa. O atual território da Colômbia no século XVIII já chegou a englobar um território muitas vezes maior que seu atual espaço físico. No passado, Bolívia, Equador, Venezuela, Panamá Peru e parte do atual estado do Amazonas, no Brasil, eram integrantes da Grã Colômbia, resultado das lutas de independência de Simon Bolívar, o principal nome nas guerras de separação da Espanha.

Ainda atualmente, seu território é um dos maiores do continente, e sua economia é a quarta maior do cone sul, coisa que não ameniza problemas como a desigualdade de distribuição de renda e os antigos conflitos contra o narcotráfico e a ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), uma das últimas guerrilhas ativas do continente.

O cabeludo Valderrama, parte de uma grande geração do futebol colombiano do passado (Globo)
O cabeludo Valderrama, parte de uma grande
geração do futebol colombiano do passado (Globo)

Mas, e o futebol colombiano? A quantas andava estando distante desde 1998, em sua última Copa? Apesar de incomodar muito a vida de clubes brasileiros nas Libertadores da América da vida, a Colômbia voltou nos últimos anos a aparecer no cenário internacional do nobre esporte bretão. Na sua história são quatro mundiais no bolso até aqui (1962, 1990, 1994 e 1998), tendo como sua melhor participação a Copa da Itália, há 24 anos atrás, onde fizera uma campanha consistente para chegar as oitavas e ser batido pela sensação Camarões, por 2 a 1.

Em seu selecionado, já estiveram presentes figuras excêntricas, como o cabeludo Valderrama e o goleiro Higuita, bons jogadores como Asprilla e Rincón, e até vitimados pela máfia do chamado “Cartel de Medelín”, como Andrés Escobar, morto em uma discoteca de Bogotá em 1994, depois de marcar um gol contra no jogo contra os Estados Unidos, na primeira fase daquele Mundial.

Foi uma boa geração, que teve seu fim na Copa de 1998, ao tomar 2 a 0 da Inglaterra no último jogo de seu grupo no mundial da França. No time estava o veterano goleiro Mondragón, que na volta da Colômbia as copas esteve presente por um pequeno tempo defendendo a meta dos “cafeteros” na vitória de 4 a 1 sobre o Japão, na última rodada do grupo C, onde terminou na primeira colocação. Mondragón, conhecido por sua técnica que o leva ser um dos melhores goleiros sul-americanos, escreveu seu nome na história como o mais velho jogador a entrar em campo numa Copa, com 43 anos de idade. Superando a Roger Miller, de Camaroes, que jogou o Mundial dos Estados Unidos aos 42 anos

Com excelentes jogadores como Armero, James Rodriguez e Cuadrado, a seleção cafeteira parece não sentir falta de Falcão Garcia, principal símbolo desta nova geração fora do Mundial por conta de uma contusão. Na próxima quarta-feira, os colombianos poderão, dependendo do resultado em campo, escrever novamente mais uma página histórica em seu futebol que tem apenas como conquista máxima a Copa América de 2001, em seu território.

Canarinhos X Cafeteros. Retrospecto é amplamente favoravel, mas nos últimos três confrontos, três 0 a 0 (Abril)
Canarinhos X Cafeteros. Retrospecto é favorável, mas nos últimos confrontos, três empates em zero a zero (Abril)

O Brasil, para isso, joga com um retrospecto amplamente favorável, que em 24 partidas soma 15 vitórias contra apenas duas vitórias colombianas e sete empates. A última vez que os “cafeteros” bateram a seleção brasileira faz 23 longos anos, na Copa América do Chile, por 2 a 0. No entanto, os últimos três confrontos entre brasileiros e colombianos terminaram no zero, três empates seguidos sem gols. E em copas, para o Brasil, a Colômbia é uma grande novidade.

O que esperar do reencontro entre os canarinhos e os cafeteiros? Quarta-feira, em Fortaleza, a Copa provavelmente terá respondida esta pergunta em 90, 120 minutos, ou na loteria dos pênaltis. E enquanto todos se perguntam de onde vem a Colômbia, seus torcedores, um dos mais animados pedaços da Copa, vão respondendo esta questão. Eles vem com fome e com muito mais do que o status de “sensação”.

Com vocês, a Colômbia de Garcia Marquez, de Shakira, da Cumbia, do café…e do futebol!

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