quarta-feira, 29 de junho de 2022
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Aqueles que perdemos – Lot Eugênio Coser

Lot Eugênio Coser (Quaraí/RS-1923 – Gaspar/SC-2022) serviu na FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA como Cabo FEB nº 5.571. Exemplo de amor à Pátria cerrou fileiras ao lado dos aliados durante a Segunda Guerra Mundial no combate e derrota do nazi-fascismo. Nossas forças guarneceram o litoral, as ilhas oceânicas e os céus. Lutaram em Montese, Monte Castelo, Fornovo, em todos os lugares onde se afirmou a bravura e determinação do soldado-cidadão brasileiro. A civilização atual foi separada da barbárie há 83 anos. A Segunda Guerra Mundial foi a prova maior, do que o homem pode fazer contra o Ser Humano.

Lot Eugênio Coser
Lot Eugênio Coser

Cabo Lot embarcou para a guerra, no Porto do Rio de Janeiro, no dia 02/07/1944, junto com o 1º Escalão, no navio americano de transporte de tropas U.S.S. Gen. William Abram Mann AP-112, desembarcando no Porto de Nápoles 14 dias após. Prestou serviços com a graduação de Cabo, no 6º Regimento de Infantaria (Regimento Ipiranga). Retornou vitorioso ao Brasil em 18/07/1945.

O relato de cabo Lot na atuação em Montese, na Itália foi descrito em pormenores: “Eu digo pra todo mundo, quem teve em Montese já sabe como é o inferno. Não precisa ir lá. Já sabe. Foram quatro dias de batalha no meu batalhão. Montese era uma vila na base da montanha. Uma cidadezinha. Um batalhão do 11º tomou de casa em casa do alemão. Aí nós chegamos para substituir esse batalhão, que teve muita perda. A ordem era avançar para tomar o morro. Conseguimos chegar até metade e não conseguimos ir pra frente por causa do alemão. O alemão, se perdesse aquela montanha, não tinha onde se defender mais na Itália. Nós tivemos quatro dias num verdadeiro inferno, onde eu perdi meu municiador, perdi um amigo de Uruguaiana, o Luiz Quevedo. E o Quevedo morreu por cabeçudo, porque quando entrou o batalhão em Montese, baixou um bombardeio e não sei quem deu ordem para os morteirinhos ficarem em posição e atirar. Ele saiu sozinho para abrir o morteirinho, que é um morteiro pequeno. Tem 60 milímetros. E a granada caiu em cima dele e o matou. Eu o reconheci. Tava coberto. Eu tirei o pano e vi que ele estava bordado de estilhaços. Na estrada para Montese era correr e deitar, correr e deitar, porque o alemão, de cima tava vendo. O meu sargento disse: “Coser, puxa a ponta que eu controlo a retaguarda”. Era para não deixar nenhum ficar para trás. A bomba assobiava e nós deitávamos. Ela estourava e nós corríamos. Ali já encontrei morto um amigo, que era de Santa Rosa, outro cabo, que se chamava Ricardo Weber e nós nos chamávamos de compadres. Ele me dizia: “Lot, se a gente sair vivo da guerra e casar, o primeiro filho vai ser afilhado do outro”. Então nós nos chamávamos de compadres. Cruzei uma curvinha e o vi morto na estrada.”

Militarmente o nazismo foi derrotado. No revisionismo histórico ele permanece promovendo a intolerância e o antissemitismo. O relato do Herói Expedicionário CABO LOT mantém acesa a chama da verdade e da justiça.

Hoje é preciso lembrar as nações civilizadas que a vitória das idéias democráticas nas as preserva dos recuos. A razão democrática não é o credo de toda a humanidade.

Em 28 de maio de 2019 o Herói Expedicionário Cabo LOT EUGÊNIO COSER entregou a Boina ao bisneto COSER, hoje Cabo no 23º Batalhão de Infantaria em Blumenau.

Lot Eugênio Coser
Lot Eugênio Coser

Cabo LOT EUGÊNIO COSER nasceu no dia 01 de junho de 1923 em Quaraí/RS e faleceu no dia 16 de junho de 2022 em Blumenau com a idade de 99 anos e quinze dias. O sepultamento aconteceu em Gaspar.

Deixou dois filhos, sete netos, 10 bisnetos e dois trinetos.

SEUS FEITOS DE HONRA E GLÓRIA JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS.

QUE SUA MEMÓRIA SEJA ETERNAMENTE ABENÇOADA!

Sérgio Campregher
Sérgio Campregher
Sérgio Campregher é historiador pela Uniasselvi/Fameblu e fala sobre política nacional e internacional e curiosidades. Escreve de Blumenau.