“Acordo cultural sem Instituto Cultural é uma concha vazia, uma folha de figueira”

Em 1997 em Havana ouvia-se freqüentemente que no início do novo milênio seria realidade a presença do Instituto Goethe (saiba mais) em Havana. Agora sabe-se que é bastante diferente esta história: Bernd Fabritius (CSU), chefe do subcomitê sobre Cultura Externa e Política Educacional do Bundestag , falhou no acordo cultural alemão-cubano. A justificativa é de que o governo cubano impõe um acordo cultural permitido somente através das ondas do rádio da Alemanha e a instalação de uma instituição cultural foi vetado pelo governo castrista.

Um “acordo cultural” entre a Alemanha e Cuba é trabalhado desde 1996 e desde então Joachim Sartorius, secretário-geral do Instituto Goethe, viajou diversas vezes para o Caribe, e sempre retornou de mãos vazias. Em 2002 a possibilidade da criação de um “Instituto Goethe em Havana” nunca chegou tão próxima. Porém em 2003, Fidel Castro veio com a ideia de jogar 75 dissidentes à prisão e impor penas severas. Deste feito optou a União Européia de impor sanções diplomáticas a Cuba por violações dos direitos humanos. Em dezembro de 2014 o presidente Barack Obbama anunciou a normalização das relações EUA-Cuba. O Ministro de Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier realizou em julho de 2015 a primeira visita de um ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental na ilha caribenha desde a implantação do regime dos irmãos Castro. Naturalmente, todas as diferenças estavam longe de serem eliminadas. “Nós levamos a Cuba uma abertura verdadeira e queremos apoiar ativamente” disse o ministro das Relações Exteriores alemão em Havana. Uma nova reafirmação da abertura do Goethe-Institut em Cuba foi proposta.

“EM BREVE”

Entre 18 a 24 de outubro de 2015 uma delegação do Bundestag estava em Havana. O grupo de cinco membros liderada por Bernd Fabritius visita instituições culturais e educacionais. O relatório soou positivamente. A comissão tinha de fato visto em Cuba uma pobreza que lembrava a Romênia antes da queda do regime. Ficam também muito impressionados com artistas, jovens e a “moderna cena open-minded” de Cuba. Quando a delegação retorna, acreditam que a questão da implantação do instituto Goethe em Havana está em boas mãos.

SEM ACORDO CULTURAL: Steinmeier, juntamente com o seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez Parrilla em Havana.
SEM ACORDO CULTURAL: Steinmeier, juntamente com o seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez Parrilla em Havana.

Na primavera de 2016 Steinmeier encontra-se com o chanceler cubano Rodriguez Parrilla em Berlim e está confiante “para ainda neste ano concluir um acordo cultural entre Berlim e Havana.” Em seguida, vem o chuveiro de água fria: o projeto cubano apresentado não continha o instituto cultural. Em nota Bernd Fabritius, chefe do subcomitê sobre Cultura Externa e Política Educacional do Bundestag afirma: “não era realmente uma questão de fazer algo contra os interesses cubanos”.

DE COSTAS PARA A HISTÓRIA: Com a Alemanha Reunificada, seus cidadãos, deixaram para trás, o rancor que se alimentava da disparidade entre os sonhos revolucionários de outrora e a história real que os atropelou.
DE COSTAS PARA A HISTÓRIA: Com a Alemanha Reunificada, seus cidadãos, deixaram para trás, o rancor que se alimentava da disparidade entre os sonhos revolucionários de outrora e a história real que os atropelou.

Os irmãos castro ao vetarem a instalação do Instituto Goethe em Havana tentam assimilar e reconectar a geração 68, sua história e seus conteúdos recalcados a revolução castrista. Esta geração jamais teve uma relação positiva com a Reunificação Alemã de 1989, porque a Queda do Muro de Berlim foi uma revolução real e uma revolução pacífica, conduzindo a Alemanha finalmente ao terreno dos fatos: o fim da ilusão da República Democrática Alemã. Com a Alemanha Reunificada, seus cidadãos, deixaram para trás, o rancor que se alimentava da disparidade entre os sonhos revolucionários de outrora e a história real que os atropelou.

DISFARCE À PAISANA - Em 1980, Erich Honecker, presidente da Alemanha Oriental e o supremo comandante Fidel Castro em Cuba. Honecker negou a proposta de uma Alemanha unificada e aprovou a posição defensiva.
DISFARCE À PAISANA – Em 1980, Erich Honecker, presidente da Alemanha Oriental e o supremo comandante Fidel Castro em Cuba. Honecker negou a proposta de uma Alemanha unificada e aprovou a posição defensiva.

Na negativa da instalação do instituto Goethe em Havana estão os sentimentos mais arraigados de recusa a normalidade que uma Alemanha reunificada vive desde 1989.

Esperar, é que a sociedade Cubana fez por sessenta anos. Fará por mais sessenta?

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