Amizade apesar do passado sombrio

Jerusalém, 4 fev. 2019 – Pela primeira vez, o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen (Viena, 1944) viaja para Israel como presidente. Ele enfatiza a co-responsabilidade da Áustria pelas atrocidades do Holocausto.

Em humildade, no Salão da Memória, no Memorial do Holocausto de Jerusalém – Yad Vashem, Alexander Van der Bellen está na frente da coroa comemorativa, com a cabeça baixa, cruza os braços em frente ao peito. Ao lado dele, a chama eterna brilha em memória dos seis milhões de judeus assassinados no Holocausto. O presidente fez uma pausa – depois ficou ao lado do presidente israelense Reuven Rivlin (Jerusalém, 1939) para a última parte da cerimônia.

JAMAIS ESQUECER - "A Áustria reconhece a sua responsabilidade pelas atrocidades inomináveis do Holocausto, bem como a nossa obrigação para garantir que, nunca se esqueça os crimes cometidos. Holocausto Nunca Mais!”. Presidente Van der Bellen.
JAMAIS ESQUECER – “A Áustria reconhece a sua responsabilidade pelas atrocidades inomináveis do Holocausto, bem como a nossa obrigação para garantir que, nunca se esqueça os crimes cometidos. Holocausto Nunca Mais!”. Presidente Van der Bellen.

O segundo dia da visita presidencial foi dedicado ao vínculo entre os dois países – mas também à luz do passado sombrio e do ressurgente anti-semitismo.

No livro de visitas do Memorial do Holocausto Van der Bellen escreveu: “A Áustria reconhece a sua responsabilidade pelas atrocidades inomináveis do Holocausto, bem como a nossa obrigação para garantir que, nunca se esqueça os crimes cometidos. Holocausto Nunca Mais!”.

Anteriormente, o presidente austríaco Van der Bellen havia enfatizado em uma entrevista com o presidente Rivlin que o reconhecimento da Áustria do sombrio passado tinha levado um longo tempo: “A Áustria tornou-se ciente de sua responsabilidade muito tarde, o que tornou nosso relacionamento difícil por um longo tempo”.

"A ÁUSTRIA TORNOU-SE CIENTE DE SUA RESPONSABILIDADE MUITO TARDE, O QUE TORNOU NOSSO RELACIONAMENTO DIFÍCIL POR UM LONGO TEMPO". Presidente Van der Bellen junto a seu anfitrião, Presidente Reuven Rivlin (Foto: EFE).
“A ÁUSTRIA TORNOU-SE CIENTE DE SUA RESPONSABILIDADE MUITO TARDE, O QUE TORNOU NOSSO RELACIONAMENTO DIFÍCIL POR UM LONGO TEMPO”. Presidente Van der Bellen junto a seu anfitrião, Presidente Reuven Rivlin (Foto: EFE).

As relações entre Áustria e Israel mudou – especialmente desde que o então chanceler Franz Vranitzky (SPÖ) fez um discurso em Jerusalém em 1993 e falou pela primeira vez sobre a cumplicidade dos austríacos.

Hoje, duas décadas e meia depois, o presidente federal Alexander Van der Bellen enfatizou a co-responsabilidade da Áustria pela Shoah em sua visita de quatro dias ao Estado a Israel.

No memorial do Holocausto Yad Vashem, Van der Bellen fez uma reverência às vítimas judias do nacional-socialismo: “Dezenas de milhares de austríacos judeus foram assassinados pelo regime nazista – e muitos outros foram deslocados encontrando aqui em Israel uma nova casa. É por isso que humildemente nos curvamos às vítimas, e foi tarde, muito tarde, que a Áustria ficou ciente dessa responsabilidade, o que tornou nosso relacionamento difícil por um longo tempo”.

Posteriormente Van der Bellen em uma reunião com o presidente israelense Reuven Rivlin enfatizou: “Vamos dizer inequivocamente: a Áustria é responsável pela … Shoah, muitos austríacos estavam entre os perpetradores “.

CERIMÔNIA NO MEMORIAL YAD VASHEM

No Yad Vashem, Van der Bellen e Rivlin participaram de uma cerimônia no “Hall of Remembrance” para os seis milhões de judeus assassinados sob o domínio nacional-socialista.

Van der Bellen colocou uma coroa de flores e se curvou para as vítimas. Anteriormente, o Presidente enfatizou que a luta contra o anti-semitismo e o racismo sempre foi uma grande preocupação.

“O antissemitismo dos nacional-socialistas não caiu do céu, já era muito forte na sociedade austríaca antes, a Shoah era o clímax cruel, por isso não deve haver tolerância ao anti-semitismo”, diz Van der Bellen.

“Nosso objetivo é garantir que a vida judaica seja segura e não molestada em todos os lugares, seja em Israel, na Europa ou em qualquer outro lugar, e essa é nossa responsabilidade, que devemos às vítimas da Shoah”, afirmou o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen.

MEMORIAL - Presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen junto a sua esposa Doris Schmidauer no Memorial do Holocausto Yad Vashem. (Foto: AP)
MEMORIAL – Presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen junto a sua esposa Doris Schmidauer no Memorial do Holocausto Yad Vashem. (Foto: AP)

Ao contrário do que aconteceu na Alemanha, Áustria só começou a reconhecer o seu papel no Holocausto em 1991, reconstruindo sinagogas e outros edifícios destruídos pelas autoridades em aliança com os nazistas e, a partir de 2005 começou a pagar compensação os sobreviventes austríacos.

UM VERDADEIRO AMIGO DO ESTADO DE ISRAEL E DO POVO JUDEU

Jerusalém – O presidente austríaco, Alexander Van der Bellen (Viena, 1944) foi recebido por seu colega israelense nesta segunda-feira (04 fev.2019), quando ele começou uma visita de Estado de quatro dias. Reuven Rivlin (Jerusalém, 1939) Presidente de Israel, acolheu o estadista como um verdadeiro amigo do Estado de Israel e do povo judeu.

O presidente austríaco abordou a história comum dos dois países, começando por Theodor Herzl.

De acordo com Van der Bellen, a primeira figura sionista “era um grande austríaco e vidente do Estado judeu, o pai espiritual do Estado de Israel”. “Nossa história terrível também nos conecta. Dezenas de milhares de judeus austríacos foram assassinados pelo regime nazista, e muitos outros foram expulsos”, disse Van der Bellen.

“Eu digo aqui alto e claro: a Áustria tem responsabilidade compartilhada pelo Holocausto. Muitos cidadãos austríacos participaram, e nós inclinamos nossas cabeças em memória das vítimas em humildade e respeito”.

Políticos austríacos ultimamente fizeram avanços sem precedentes no reconhecimento da parcela de responsabilidade de seu país no holocausto.

“Como austríacos, temos que ser honestos quando olhamos para o passado, já que a Áustria não era apenas uma vítima, mas também uma perpetradora. Mas também devemos olhar para o futuro. Não podemos desfazer a história, mas podemos fazer justiça à nossa história ”, disse o chanceler Sebastian Kurz em um memorial da Kristallnacht em novembro passado.

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