Brasil inteligente: governar sem demagogia

Existem discursos e discursos.
Há o velho compromisso de campanha, geralmente improvisado a toque de caixa, que existe para entusiasmar os eleitores fiéis e angariar novos simpatizantes, e, obstante disso, existem compromissos inegociáveis da República Brasileira. Tais compromissos podem não ser proferidos para multidões, mas são firmados silenciosamente após o candidato sujeitar-se ao serviço público.

Dessa forma, é necessário que o governo, durante a longa extensão de desafios que enfrentará, não perca as bases da República. Estas bases são um manto protetor nas tarefas rotineiras de nosso povo. As bases que refiro-me são compostas pela democracia, pelos direitos humanos e pela distribuição de renda. São essas bases que, caso não sejam cumpridas, interferem diariamente na vida dos trabalhadores que saem todo o dia de manhã para pegar o ônibus cheio para o trabalho e nas crianças que querem usar todo seu potencial, mesmo que a estrutura escolar não seja a mais propícia.

Estas bases formam um lume luminoso que é direcionado por nossa constituição e foram objetivadas em cada governo após a redemocratização. O que vale para a nossa vida também vale para os altos cargos do Governo. Manter o Brasil, um país forte e próspero, apresenta o difícil trabalho de tomar decisões. Tais decisões não podem suprir as nossas bases. Não pode-se suprir a distribuição de renda para uma eventual retomada no crescimento ou diminuir os direitos humanos em face da segurança pública.

As decisões não podem ser realizadas através de aparato ideológico ou feitas de formas emotivas. O Brasil é uma nação diversificada e desigual que precisa ser governada para todos e não para um grupo de eleitores. Perder nossa base é perder nossa identidade constitucional.

Ilustração da Bandeira do Brasil (Estúdio Romeu & Julieta)
Ilustração da Bandeira do Brasil (Estúdio Romeu & Julieta)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here