Fritz Müller no Museu Nacional

FRITZ MÜLLER - “A Correlação das Flores Versicolores e dos Insetos Pronubos,” Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro 2 (1877): 19-23 (<a href="http://www.museunacional.ufrj.br/obrasraras/periodicos.html" target="_blank" rel="noopener">museunacional.ufrj.br</a>).
FRITZ MÜLLER – “A Correlação das Flores Versicolores e dos Insetos Pronubos,” Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro 2 (1877): 19-23 (museunacional.ufrj.br).

Fritz Müller (1822-1897), naturalista alemão residente no Brasil do século XIX, contribuiu com as ciências biológicas com 264 artigos científicos. Ocupou diversos cargos públicos no país; um deles como naturalista do Museu Nacional do Rio de Janeiro, de 1876 a 1892, período em que publicou seus artigos no periódico do Museu.

Como naturalista do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Müller publicou, no periódico da Instituição – Archivos, treze trabalhos, distribuídos em quatro volumes (1877, 1878, 1879, 1892).

Apesar de Müller viver a época fora do círculo científico do país (cidade do Rio de Janeiro), e também distante dos círculos europeus nos quais era constantemente citado, em todas as discussões de seus trabalhos nos Archivos, notamos que ele tinha conhecimento de vasta literatura acerca dos assuntos específicos que tratava. Exemplo disso são as citações encontradas em seus trabalhos a outros autores, bem como a transcrição de excertos de obras que viessem a corroborar com seu pensamento e pesquisa. Parte dessa literatura chegava a Müller através de seu irmão, Hermann, que vivia na Alemanha, ou remetida por amigos, como Charles Darwin, que enviava a ele, periodicamente, cópias de seus livros, bem como de outros autores, recentemente publicados na Inglaterra.

De 1876 a 1892, Müller integrou o quadro de funcionários do Museu Nacional do Rio de Janeiro como naturalista viajante. No ofício de contratação (16 de setembro de 1876), assinado pelo conselheiro José Fernandes da Costa Pereira Junior, então Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e pelo Dr. Ladislau Netto, diretor interino do Museu Nacional, é recomendado ao imperador D. Pedro II, autorização para contratação do Dr. Fritz Müller em caráter oficial no cargo de naturalista viajante, devido aos préstimos que este já realizara a ciência mundial e em grande parte publicados em colaboração com Charles Darwin, demonstrando, novamente, pela simples menção do nome “Darwin”, o novo coletivo de pensamento do Museu Nacional pautado nos ideais evolucionistas.

Neste período, o Museu era administrado pelo Dr. Ladislau Neto (1938-1894), que propôs diversas reformas à Instituição, sendo uma das mais significativas a criação do primeiro periódico científico, intitulado Archivos do Museu Nacional.

INCÊNDIO NO MUSEU NACIONAL

O avanço do incêndio no Museu Nacional, ocorrido ontem (2) não foi a escassez de água para debelar as chamas. Foi a corrupção que desviou verbas para sua manutenção e o imprescindível apoio na desconstrução da história, em textos e seminários que por anos e anos geraram uma mentalidade de indiferença no zelo do patrimônio histórico nacional. Teorias conspiratórias se propagam nas redes sociais. O fato é que a conta gotas, foi sendo engendrado este incêndio criminoso. A omissão foi o pavio, sendo acesso ao longo do tempo.

Fonte consultada: Fritz Müller, o naturalista darwinista do Museu Nacional do Rio de Janeiro Flavia Pacheco Alves de Souza e Andrea Paula dos Santos Oliveira Kamensky. Revista Esboços, Florianópolis, v. 23, n. 36, p. 470-492, fev. 2017.

Deixe um comentário

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome