Opinião: nada mudou

Sessão extraordinária da Câmara Federal (Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

Não sei se deveria estar escrevendo poemas de amor, apenas sei que estou escrevendo sobre esperanças perdidas. Lembro-me que, quando era estudante, houve o julgamento do mensalão e a prisão do empresário Carlinhos Cachoeira. Recordo-me de pensar que o Brasil estava mudando, tentaram prevenir-me do equivoco infantil, mas o ego juvenil me fez não dar atenção aos avisos. Anos depois, dançamos sobre o abismo.

Após a Operação Lava Jato desmontar esquemas criminosos na política brasileira, percebo que nada mudou neste período eleitoral. Políticos ainda fazem das alianças estapafúrdias um balcão de negócios e vestem-se com sport chic para cumprimentar os eleitores em festas de igreja.

A Lava-Jato parece estar perdendo força e coincide com os problemas que a Operação Mãos Limpas teve que enfrentar na Itália. Segundo o ex-magistrado Gherardo Colombo, a operação mãos limpas, iniciada nos anos 80 contra empresários e políticos, não fez a corrupção na Itália diminuir absolutamente. De acordo com Colombo, não era possível combater a corrupção por meio da Justiça pois a operação não resultou na redução da corrupção, o ex-magistrado demitiu-se 14 anos antes da aposentadoria pois acredita que é necessário olhar outra fonte importante, que é a frente da educação. Prova da não diminuição da corrupção Italiana, foi que em 2001 tomou posse no cargo de primeiro ministro o empresário Silvio Berlusconi, o empresário já foi acusado de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, participação em homicídio e corrupção.

O Brasil parece seguir o mesmo caminho, os políticos continuam vendendo-se sem vergonha. Salvo uma prisão ou outra, o sistema ainda continua falido e flertando com a possibilidade de ser, como sempre foi: corruptível.

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