O cúmulo da crise

Muitas vezes, tenho a impressão que o Brasil é como uma galinha gorda e valiosa. A galinha produz ovo, renda e riqueza, mas fica vulnerável aos ataques dos animais de rapina representados pelos inadequados interesses de grupos ocultos. Cada grupo é movido unicamente pelo desejo de vantagens econômicas.

A violação imprudente e fraudulenta que é direcionada para a Constituição me faz sair em defesa da democracia e da participação popular diariamente, porém, toda a minha linha de raciocínio foi colocada em xeque por um colega empresário que questionou: “mas qual democracia estais se dirigindo? Aquela que estávamos vivendo?” O modesto, mas sólido argumento impulsionou meus estudos para obter uma resposta palpável e coesa diante do enfático questionamento.

Dessa forma, enfaticamente afirmo que aquela democracia que estávamos vivendo não seria a resposta para os nossos problemas, mas seria, como uma luz no fim do túnel, o caminho para resolvermos as nossas crises. Igual um caso de amor que dá trabalho, a democracia dá um trabalho dobrado. Sair em sua defesa é fácil, difícil é percorrer suas falhas para chegarmos ao modelo ideal. Em nossas premissas, precisamos ponderar que a democracia vivida é apenas a ponta do iceberg do que seria uma democracia ideal.

De acordo com o Norberto Bobbio, a democracia se efetiva quando o povo é colocado em condições reais de poder. Para tanto, a professora Marilena Chauí afirma que a cidadania, como uns dos princípios de democracia, exige instituições, mediações e comportamentos próprios, constituindo-se na criação de espaços sociais de lutas. J.F Assis Brasil em seu livro “A democracia representativa no Brasil,” argui a democracia como o fato de tomar um povo parte efetiva no estabelecimento das leis, um povo com mais ou menos perfeição governa a si mesmo.

O Brasil fica longe de atingir a perfeição, mas a democracia é o caminho para efetivarmos nossos sonhos. Apesar da reforma política não agradar a torcida, ela se mostra uma ferramenta poderosa para resolvermos nossos problemas. Há soluções para os nossos problemas dentro do sistema, sair do caminho correto é insanidade; o país cobrará juros no futuro. O caminho a ser perseguido não é fácil e nem perfeito, mas é o único caminho que pode defender o trabalhador e o empresário que dependem do Estado.

Respondendo a pergunta do nobre empresário, não é “aquela democracia” o modelo ideal, mas é o percurso ideal para atingirmos as metas estabelecidas, para depois que cumpridas, quem sabe, dobra-las.

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