O delírio dos líderes: a nostalgia como projeto de poder

Vivemos na época da ascensão de líderes insanos. Um pipocar de governantes usam de sua caricatura  como projeto de poder. Talvez o maior deleite destes líderes seja o fato de seu discurso fácil poder entusiasmar massas de fiéis eleitores e religiosos militantes.  O novo messias da era moderna aparece a cada semana. Mitos são criados em todos os cantos do planeta com o apoio maciço da internet. Estes senhores possuem perfis similares, neles há a  perigosa  inconsequência do uso de rupturas democráticas e o manuseio da nostalgia como defesa de suas campanhas.

De acordo com Zygmunt Bauman, o progresso econômico foi tão fortemente vendido pelos poderes vigentes que teve como resultado  uma maldição. Quer dizer, o autor sugere que o investimento das esperanças públicas na melhoria de um futuro incerto gera um angustiante medo de inadequação e, o mais importante, um sentimento de derrota. De acordo com Svtlana Boym, professora de Harvard, a nostalgia é um mecanismo de defesa que reconstitui o lar ideal e a visão restauradora usada para Fabricação de mitos nacionalistas. Bauman complementa que dessa forma, a epidemia frenética de progresso passa o bastão para a epidemia global  de nostalgia. Assim, a política é transferida ao lugar de memória coletiva dos povos.

Mussolini (Paal Gladso)
Mussolini (Paal Gladso)

Dessa forma, podemos concluir que os políticos vigentes tiraram de seus armários a bandeira da volta de um passado glorioso inexistente.  Tal questão fundamenta discursos dos governantes que pregam as boas maneiras que somente o passado transmitia. Tais teses usadas por líderes da direita de hoje já foram usadas por Marx e são como base do discurso de todo comunista tradicional.

Nomeio tais discursos de amor à nostalgia como delírio a ser erradicado. Tal sentimento não pode ser usado como fundamentação política ou discurso de Estado. Este ranger de palavras são uma fábrica de sonhos irreais e impraticáveis. Caso um governante venha a colocar de fato este discurso em prática, criará um débito impagável com a nação. Além de impraticáveis,  tais atos irão frustrar esperanças públicas, esperanças estas  já sofridas pelo vexame das instituições da era moderna.  Não demorará para que tais líderes Queimem em sua própria banha, quero dizer: O motivo da ascensão destes, poderá ser o motivo de seu declínio. Hoje, atraem a atenção pública, mas serão capazes de sua manutenção? Cuidemos para que, nesse meio tempo, este discurso não seja o apagar de luzes da democracia.

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