Falta alegria na Ódiolândia

Brava gente brasileira, O país dos trópicos tristes está raivoso. Habituamo-nos com discussões ofensivas e vimos, de maneira calada, o país transformar-se na nova ódiolândia.

Perdemos os contatos de amigos, parentes e vizinhos por conta de posts do facebook. Posicionamo-nos sobre um tema através do grau de agressividade que ele nos atinge.

Todas as semanas, palavras raivosas são destiladas gratuitamente. Senta lá que vem Bolsonaro afirmando ser contra isso e a favor daquilo. O país que se mostra contra negros, quilombolas, gays se curva ao agronegócio e deseja o pior pedido que alguém poderia desejar: a volta da ditadura. O julgamento moral que acontece nos últimos tempos é enraizado pela intolerância e pelo tolitarismo.

A ódilândia já fez o país retroceder no que tange aos direitos humanos e despreza qualquer leitura aprofundada sobre o veneno que destilam. Não cansados de passar vergonha, a massa raivosa atreve-se a chamar de “elites intelectuais” aqueles que sempre foram contra as elites.

O país precisa ter sua alegria e a noção de comunidade de volta. Precisa relaxar com seus pares e se enraivar com seus líderes. Necessita, antes de tudo, acalmar-se. Como já escreveu Xico Sá, o país precisa voltar a amar Chico Buarque e suas canções de amor.

Os habitantes da ódiolândia precisam deitar no divã, ouvir Gil e conversar sobre suas mágoas e incapacidades reprimidas. É através de arte e cultura que podemos sobreviver com alegria na tempestade em que estamos vivendo. O país possuí seus problemas, não deixemos o ódio ser um deles. Não há tempo a perder, há vida lá fora.

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