República Independente da Lorpolândia – final

Observação: leia a primeira parte da República Independente da Lorpolândia.

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(…) então o lorpa disse: “pra mim, cada pessoa devia morar no estado em que nasceu”(…)

É triste mas é verdade. Eles não sabem ou fingem que não sabem. Na dúvida, portanto, é nosso dever atiná-los que todas as unidades da federação não pertencem a oportunistas sectários, e sim a todos os brasileiros. Ter nascido neste ou naquele estado não dá o direito de se achar o dono da terra.

Nem os estrangeiros que para cá vieram tiveram essa estultice. Sobretudo porque deixaram sua pátria mãe outros motivos: tangidos pelas guerras em que seus governantes irresponsáveis se meteram, fugidos da fome e da miséria em que seus países de origem estavam atolados ou foram exportados como material descartável; pobres excedentes, para longínquas e estranhas terras, como o Brasil.

Sobressalentes em sua terra natal, encontraram aqui a oportunidade de crescer e criar os filhos. Filhos ingratos, diga-se, pois deveriam agradecer a terra que os acolheu, e não disseminar a secessão.

Oportunidade que suas terras de nascimento não lhes deram, mas o sim Brasil e os brasileiros. “Privilégio” (atenção para as aspas) esse que nós brasileiros hoje não temos. Não podemos exportar nossos pobres como esses países (que hoje são de primeiro mundo, mas famintos e miseráveis outrora) fizeram. Alguns, na busca cega da negação ao passado, dizem que os colonizadores (que palavra!) vieram para cá em busca de mais dinheiro que já possuíam. Sei…

O que é preciso dizer é que quando esses forasteiros aqui chegaram, encontraram um território delimitado, com fronteiras demarcadas, administradores, leis e agentes da lei. Ou seja, tinha dono. Bem ou mal haviam formas de organização e prestação de contas a um poder responsável e central.

A impressão que alguns querem passar é que cá nada havia. Era terra de ninguém. Mentira. Nem os portugueses, que aqui chegaram muitíssimo antes, podem afirmar isso, uma vez que os índios já estavam na beira da praia a avistá-los antes que pisassem em terra firme.

Mas há uma solução para esses inconformados. Não querem uma terra só para si? Se sentem incomodados e inconformados de conviver com patrícios? Então, que tenham um país só deles para confabular sobre sua presunçosa superioridade. Ali compartilharão de sua mentalidade discricionária com seus pares.

Mas onde seria a Lorpolândia? Simples: no Contestado. Eis aí um lugar a caráter para esses beócios. É a tão sonhada terra de ninguém. Uma vez instalados, eles que dividam o novo território em estados. Se assim quiserem, pois isso já não nos interessaria mais. Seria como o Lesoto e a África do sul. Pronto!

Resolvida questão de onde alojá-los, restaria apenas algumas formalidades burocráticas, como visto de entrada, passaportes e comprovação de cidadãos lorponensenes. Assim, os visitantes oriundos da Lorpolândia poderiam durantes suas férias passear pelo nosso Brasil (outrora deles), visitando a cidade mais linda do mundo que é o Rio de Janeiro, Minas Gerais e suas construções seculares, patrimônio da humanidade, as praias paradisíacas do nordeste, a exuberante floresta e a fauna tão exótica quanto farta da Amazônia, a riqueza mineral e a beleza do cerrado no centro-oeste com suas chapadas magníficas, o paraíso terrestre que é o pantanal do Mato Grosso e também, porque não, a esplêndida e arraigada cultura das terras do sul do, bem como suas belezas naturais de encher os olhos.

Desta feita, os habitantes lorponenses estudariam e falariam seu novo idioma: o lorponês. Mandariam seus filhos, única e exclusivamente para as escolas da Lorpolândia. Abririam seus comércios lá. Teriam seus professores lá. Todos formados nas universidades de lá. Torceriam para os times de lá. Teriam seus ídolos da música e do esporte todos de lá. Ouviriam emissoras de rádio de lá. Criariam seus novos hábitos alimentares de acordo com a nova (?) mentalidade cultural dos lorponenses. E se o presidente (ou primeiro ministro) da Lorpolândia fosse afeito à democracia, poderíamos ceder-lhes espaço aéreo e saída por terra, para que seus diplomatas possam fazer acordos internacionais com outros países. Inclusive o Brasil dos brasileiros! Tendo todos os lorpas encontrado a alegria que não encontram nos tempos de então, viveriam felizes para sempre e não nos encheriam mais o saco falando besteiras.

Nilton Borges; é cidadão, consumidor, pagador de impostos, contribuinte e eleitor.

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