Che Guevara – O primogênito revolucionário

Che Guevara – Odiava a classe alta, a burguesia, em geral todo o sistema social, econômico e político existente.
Che – Odiava a classe
alta, a burguesia, em
geral todo o sistema social,
econômico e político
existente.

Che Guevara tornou-se o braço direito de Fidel castro após o triunfo da insurreição cubana de 1958. Na primavera de 1965, dirigiu-se a seu companheiro de armas com uma carta na qual renunciava as suas funções no governo cubano. Logo depois desapareceu.

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Che organizava escolas de guerrilheiros, utilizando recrutas vindos de todos os países do continente. Para os voluntários que não podiam ir a Cuba, ele escreveu longos estudos táticos de iniciação a guerrilha.

Desde fins de 1962, os discípulos de Che Guevara enfrentavam os boinas verdes dos Estados Unidos numa dúzia de países. Milhares de combatentes anônimos tombaram dos dois lados. Uma guerrilha sem interrupção prosseguia há três anos no Congo, na República Dominicana, na Tanzânia, no Perú, na Venezuela e na Guatemala. Mas Che queria um confrontação aberta. E pensou ter encontrado terreno favorável na Bolívia

PERFIL DE CHE GUEVARA

Che – tinha sido criado com pouco trato, vestindo sempre camisas sujas, de unhas crescidas e negras, alimentando-se de forma ruidosa, seus colegas lhe tinham dado a alcunha de Chancho (porco). E Guevara aceitara tal apelido com alegria, em vez de indignar-se. O facínora Che gostava de matar pessoas inocentes e fuzilar gente na frente dos filhos ou das mães. Era um covarde, que humilhava seus inimigos desarmados. O primogênito Che Guevara odiava a classe alta, odiava a burguesia, odiava em geral todo o sistema social, econômico e político existente. Durante toda a sua carreira política, ele exibiu “uma profunda capacidade de odiar e um respeito saudável – ou até uma predileção – pela violência”. Em 1959 ele supervisionou pessoalmente o extermínio de milhares de defensores de Batista. Esses julgamentos e execuções sumários tornaram-se a “versão cubana do reino do terror” e o nome de Che Guevara tornou-se sinônimo dela.

Ao chegarem ao poder, os regimes comunistas voltam-se freqüentemente para os lideres primogênitos, no esforço de conservá-lo. Na antiga União Soviética, os feitos revolucionários de Vladmir Lênin e Leon Trotski – ambos filhos mais novos – deram lugar à liderança ditatorial de dois primogênitos funcionais: Stálin e Kruchov. Outro primogênito realista, Mao Tsé-tung, conduziu na China uma campanha de revolução radical que durou sua vida inteira.

MODUS OPERANDI

Em fins de 1964, Che forneceu inconscientemente aos serviços de inteligência dos Estados Unidos muitos dados sobre o modus operandi de sua estratégia pessoal. A CIA soube de onde tirar as coisas essenciais para os seus arquivos. Descobriu que sua leitura preferida era a obra soviética sobre a guerra especial intitulada O COMITÊ REGIONAL CLANDESTINO EM AÇÃO. Em 1965 os analistas do departamento de estado sabiam bem da grande operação de guerrilha que ele havia montado em 1963-64 nas províncias setentrionais da Argentina. A operação era dirigida por membros civis e militares do estado-maior pessoal de Che em Havana.15 chevaristas tombaram em combate (quase todos argentinos) Na seqüência um Che furioso, atormentado por um forte sentimento de culpa e desejoso de vingar-se desapareceu de Havana.

Dezesseis meses se escoaram sem nenhum acontecimento decisivo. Sua presença era freqüentemente assinalada na Guatemala, no Vietnã, na Argentina, no Congo. Cuba tinha anunciado que Che tinha desaparecido ou estava morto. Era uma falsa informação. Che estava escondido num campo isolado, na costa leste de Cuba. Em 07 de novembro de 1966, Che instala-se numa base, situado nos confins da selva, no sudoeste da Bolívia. Ele empregou as dezenove semanas seguintes em recrutar na região um pequeno grupo de guerrilheiros bolivianos.

A 11 de março de 1966, três recrutas desertaram e correram a guarnição militar boliviana mais próxima. La Paz e Washington foram imediatamente informados. A comunicação ainda estava em exame, quando no dia 23 de março, ocorreu o ataque-relâmpago contra a patrulha boliviana, confirmando as declarações dos desertores e desencadeando a contra-ofensiva. A estratégia de Che Guevara previa a criação de uma praça forte, de um inexpugnável reduto guerrilheiro, que iniciaria a luta nas selvas e, depois, internacionalizaria o conflito.

Para fidel castro, o envio de Che para a Bolívia era uma maneira para se livrar dele.

O governo argentino resolveu preparar uma intervenção militar direta, no momento que descobriu a presença de guerrilheiros na fronteira setentrional de seu país (os generais argentinos pensavam que uma grande campanha anti-guerrilha, de proporções internacionais, faria da Argentina a primeira potência da América do Sul).

Nos bastidores, o governo boliviano pretende liquidar Che, pois era o objetivo inicial de Guevara o confronto com o exército boliviano. A Bolívia não tinha uma força anti-guerrilha organizada. Dispunha somente de um dos menores, mais pobres e mais lentos exércitos do hemisfério ocidental. Apesar disso, seu alto comando tinha idéias próprias sobre a maneira de cuidar do assunto Guevara.

O embaixador norte-americano Henderson replicou aos militares bolivianos mais exaltados: os Estados Unidos não tomaram nenhuma atitude, nem mesmo de aumentar a sua ajuda militar, suscetível de ser interpretada como uma intervenção. Os EUA ofereceram apoio no treinamento militar aos recrutas bolivianos (Quichuas) que tinham direito apenas a dez cartuchos para aprender a atirar. Sob o céu tropical, os Quíchuas aprenderam centenas de astúcias e técnicas de combate pessoal. Também aprenderam a garantir a segurança dos caminhos na selva, usando como sistema de comunicação e aviso, latas vazias de conserva e cordões. A contra-atacar, em caso de emboscada e a interpretar um mapa. Não eram mais soldaditos. Para Che a situação não cessara de se agravar. O círculo traçado ao redor da zona vermelha dos guerrilheiros cortou-lhes as vias de comunicação. Sua coluna sofreu grandes baixas, durante encontros com destacamentos bolivianos.

CHE – O fascínora capturado.
CHE – O fascínora capturado.
MANUTENÇÃO DA IDEOLOGIA: Companheiro de Che Guevara na guerrilha boliviana, Régis Debray é hoje professor de filosofia e crítico das novas tecnologias nas transmissões de idéias midiáticas.
MANUTENÇÃO DA IDEOLOGIA: Companheiro de Che
Guevara na guerrilha boliviana, Régis Debray é
hoje professor de filosofia e crítico das novas
tecnologias nas transmissões de idéias midiáticas.

Depois da prisão de Régis Debray (hoje filósofo na Universidade de Lyon e autor da teoria de midiologia), Che perdeu sucessivamente seu mensageiro boliviano Jorge Vasquez Viana e seu agente de ligação argentino Ciro Bustos.

Em matéria de Combate, o exército boliviano tinha uma vantagem sobre Che. É que ele, sendo uma celebridade mundial, pensava como um general de 4 estrelas. Queria se tornar um campeão de alianças, senhor de vastos territórios, representante destacado de uma ideologia, figura de proa da História. Assim sendo Che não tinha mais tempo a consagrar aos pequenos problemas, como o da segurança do perímetro de seu campo, ao horários das patrulhas e ao moral de seus recrutas de base. Em alguns dias, o exército boliviano levantou a pista de Che: uma estreita e longa ravina. Todas as saídas foram bloqueadas.

REVOLUÇÃO NA REVOLUÇÃO – Em 1968 a repercussão deste livro na juventude brasileira acabou no engajamento de Dilma Rousseff na luta armada.
REVOLUÇÃO NA REVOLUÇÃO –
Em 1968 a repercussão deste
livro na juventude brasileira
acabou no engajamento de
Dilma Rousseff na luta armada.

Che Guevara jamais pode realizar o seu sonho de defrontar-se em combate com os ianques, por ele tão execrados. Mas se encontrava, naquele momento em face de um inimigo não menos temível: as companhias anti-guerilha , recrutados entre a população Quichua.

Che estava ferido e acuado. Ele se lançou através da ravina, atacando e correndo num trajeto em semi-círculo, numa tentativa de sair da armadilha. Com uma bala, fizeram tombar a carabina das mãos de Chevara. Che recebeu vários ferimentos, mas todos sem gravidade. A CIA queria que ele permanecesse vivo, para posterior julgamento. Mas o alto comando boliviano guardava lembranças desagradáveis do processo Régis Debray.

Nessa ocasião, centenas de jornalistas, em todo o mundo, tinham dado aos militares bolivianos a reputação de gorilas. Na Bolívia de 1967, não havia a pena de morte no código penal. O alto comando boliviano estava num dilema: ou matar imediatamente Che ou nunca mais. O comandante chefe General Alfredo Ovando o fez fuzilar no dia seguinte, sob sua ordem e responsabilidade pessoal.

E a salva mortífera transformou a vitória da força anti-guerrilha numa derrota política e no surgimento do “mito Che”, que ainda desperta tantas emoções positivas demonstrando o nosso atraso ideológico e nossa ignorância histórica.

O Autor é Historiador.

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