A audiência pública que não aconteceu

Com o auditório da Fundação Cultural vazio, os ventiladores já não davam conta de refrescar o ambiente. Conforme as pessoas chegavam, o calor aumentava. Rapidamente, o primeiro problema da audiência pública sobre a construção de uma nova ponte em Blumenau ficou evidente. Seja pelo calor ou pelo excesso de pessoas que compareceram ao encontro, o ambiente não era ideal.

Goteiras (Walter Carlos Weingaertner)
Goteiras (Walter Carlos Weingaertner)

Ainda antes do início da audiência, que por sinal já estava atrasada, uma faixa em favor da ponte era levantada. Do outro lado do auditório apenas surgiram vaias. Contudo, no ambiente havia excesso de pessoas, muito calor e um público nem um pouco satisfeito. Assim, sem os debates nem ao menos começarem, o clima já estava quente, em todos os sentidos.

Agendada para às 19h, foi exatamente às 19h20 que começou a leitura do regimento a ser seguido na audiência, logo após reclamações sobre o atraso da mesma. Todos ouviram em silêncio. No término, o vereador Jefferson Forest foi o primeiro a pegar o microfone para debatê-la. Além da inviabilidade da audiência em um ambiente como aqueles, Forest também reclamou da falta de debate que haveria caso o regimento fosse seguido. Seu argumento foi recebido por aplausos por boa parte do público.

A falta de uma placa para sinalizar a audiência pública no local onde deve ser construida a ponte foi outro ponto que gerou reclamações. Sem que nem ao menos fossem aceitos os contraargumentos por parte da prefeitura. Reclamações começaram a surgir sem parar.

O tempo foi passando e o adiamento da audiência ficando cada vez mais evidente. A chuva atravessando o telhado da Fundação apimentou ainda mais as discussões. Vários dos reclamantes sugeriram então o adiamento da audiência e uma melhor organização. O argumento era único: o bom senso.

Aceito o argumento, a audiência pública para a apresentação do projeto da ponte deve ser remarcada. Após um encontro que apenas gerou reclamações e levou várias pessoas a perderem seu tempo. No entanto, também se mostrou exatamente como uma audiência pública deve ser. Democrática. Uma reunião em que não só os líderes têm voz.

Um comentário

  1. Alguns pontos a serem corrigidos no texto.

    Primeiro que quando a faixa foi aberta, não foram “só vaias” que escutamos. Eu, sentado bem próximo ao G4 (Rodolfo “Alemão” Souza, André Jenichen, Alfredo Lindner e Gustavo Meireles) pude ouvir todo o tipo de desrespeito para com aqueles que estavam levantando a faixa. Os mais educados diziam: “A festa da igreja é lá no fundo do Garcia e não aqui”. “Onde deixaram o ônibus estacionado”, ou “Desceram em que ponto?”, ou ainda, “Quem foi que pagou a condução dessa pobrezada”.

    Segundo ponto, o local era amplo o suficiente para uma audiência pública, acontece que a prefeitura subestimou o poder de mobilização do MRPA (Movimento Revolucionário da Ponta Aguda). Eles estavam ali para impedir a audiência pública, mesmo que o teto não tivesse goteiras, mesmo que tivesse ar-condicionado e mesmo que todos pudessem se sentar. Foram ali, não para debater, mas sim para impedir a audiência. O calor (49 graus durante o dia, uma exceção naquela semana e a chuva, foram apenas providenciasi).

    O Forest, coitado, é contra a ponte porque obviamente depois de pronta, o Napoleão vai usar ela na campanha, até porque o trânsito vai melhorar. Então, nada mais justo que o descabido e perdido do Forest, ser contra.

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