O Brasil não é tão pacífico como parece

A história do Brasil parece ser pacífica e formada por homens cordiais. Porém, ela foi cunhada por conflitos e levantes populares. De uma colônia de exploração conturbada nasceu o único império da América Latina, o Brasil. Após Marechal Deodoro da Fonseca proclamar a república em 1889, tivemos duas revoluções militares até chegarmos à composição atual de república.

Recentemente milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a conturbada situação política do Brasil. A corrupção e a má administração ainda são os maiores problemas da nação, tão forte quanto ao período em que fomos explorados pela coroa lusa. Isso nos faz voltar no tempo para relembrar quais os principais levantes da sociedade até a chegada dos protestos atuais:

1789 – Inconfidência Mineira: Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, foi líder dos Inconfidentes. O primeiro levante de expressão no Brasil colônia foi formado pela elite mineira que desejava tornar o Brasil independente de Portugal por conta dos altos imposto e transformar o Brasil em república, a exemplo da França e dos EUA. A coroa portuguesa desmantelou a revolta no mesmo ano e executou seu líder Tiradentes.

1835 – Revolução Farroupilha: Também conhecida como Guerra dos Farrapos, ocorreu porque os ricos fazendeiros gaúchos pagavam altos impostos na produção de charque e couro. O objetivo era formar uma nação sulista, independente do recém-formado Brasil, que teve sua independência proclamada em 1822. Cerca de 47 mil pessoas morreram vítimas do conflito até o seu final em 1845.

1889 – Brasil República: O descontentamento de diversas classes da sociedade foi o terreno oportuno para um Golpe Militar. À destituição do então imperador Dom Pedro II, foi em 15 de novembro, sendo realizada pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Ele foi o primeiro presidente da república do Brasil, sistema que perdura até hoje. O primeiro presidente civil a comandar o país foi Prudente de Morais, em 1894.

Você sabia? O Brasil teve mais de 88 lutas e revoluções ao longo de sua existência. Algumas delas nem constam nos livros, mas tem seu lugar na história.

1984 – Diretas Já: Há quem diga que o Golpe Militar de 1964 foi um levante popular. Porém esse trecho da história ficou marcado pela postergação de um governo provisório militar por 20 anos. Seja como for, seu final foi marcado pelas Diretas Já. O termo faz referência às eleições diretas, pois os governos militares eram escolhidos a dedo por um Colégio Eleitoral.

João Figueiredo, último presidente militar, foi pressionado a abrir mão do poder. Apesar da transferência de poder ser prevista, a eleição de um governo democrático só foi possível graças aos movimentos populares. “Eu vou fazer com que esses políticos briguem entre si. Vou abrir o pluripartidarismo” disse Figueiredo.

“A palavra democracia vem de povo. É interessante ele estar na rua”, disse Oscar Guilherme Grotmann Filho, 54. Ele foi assessor do Ministro das Comunicações Joel Marciano Rauber, o primeiro após o fim da ditadura em 1985. A cúpula de qual fazia parte era a do Presidente Tancredo de Almeida Neves, eleito pelo povo em votação direta. Tancredo morreu antes de assumir, e o governo de seu sucessor, José Sarney, já era plenamente democrático.

2013 – Protestos pelo País: Um protesto do grupo Anárquico Passe Livre, em São Paulo Capital, pedia queda na tarifa de ônibus. Como um estopim, o movimento desencadeou uma grande onda de manifestações. Em poucas semanas, 2,5 milhões de pessoas encheram as ruas de 428 cidades pelo país protestando por diversos motivos. A falta de liderança e a descoordenação fez com que as conquistas fossem minimizadas.

“A palavra democracia vem de povo. É interessante ele estar na rua” Oscar Guilherme Grotmann Filho, 54, Assessor Parlamentar.

Protesto em Blumenau (Filipe Rosenbrock)

Quando questionado se o movimento é comparável às Diretas Já ou Fora Collor, o jornalista Francisco Fresard ressalta: “pela mobilização, sim. Pelos objetivos, não. As duas anteriores tiveram um objetivo claro e específico cada uma. A mais recente teve vários motivos, mas poucos foram atingidos. Ocorreram poucas mudanças na postura dos políticos. Da população, um pouco mais, mas longe do ideal”.

Um fator determinante na mobilização das pessoas foram às novas mídias, como internet (com as redes sociais) e o celular. Fresard acredita que elas ainda talvez não sejam os meios mais eficientes de comunicação “Há uma nova forma de comunicar, certamente, mas não é a única. Sem novas mídias derrubamos um presidente. Com elas, o que conseguimos?”.

A imprensa internacional destacou por semanas os protestos e sua possível influência na realização dos jogos que o Brasil vai sediar em 2014 e 2016. Projetos de lei de amplo apoio social, como a divisão dos royalites, foram exemplos de medidas aprovadas às pressas no planalto para acalmar o ânimo dos manifestantes. Apesar de tudo, apenas 1,25% da população saiu às ruas, deixando um “gosto de quero mais”.

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