Aqueles que deixamos para trás

“As pessoas próximas aos depressivos tem expectativa de que eles logo se recompunham: nossa sociedade tem pouco espaço para lamúrias”.  A frase é de Andrew Solomon, autor do livro: “o demônio do meio dia: uma anatomia sobre a depressão”.

No livro, a doença é retratada como o mal do século, de acordo com o autor, há vinte anos cerca de 1,5% da população mundial possuía depressão, hoje, essa porcentagem aumentou para 5%.


Na luta paradoxal da modernidade líquida, é certo que  todos conhecemos alguém deprimido que precisa de ajuda. Salomon alerta, a depressão não é uma criação do XXI, mas  é um mal que aumentou em tempos recentes.

Visto que uma das causas da doença é ofuscar a capacidade do indivíduo de receber afeto, uma difícil missão da sociedade é não deixar para trás aqueles que precisam de tratamento.

  Por mais difícil que possa parecer, é necessário que nós paremos de procurar os culpados e comecemos a dar mais atenção daqueles que precisam de apoio. Nossa missão é não desistir do outro diante das dificuldades de recuperação, a passividade não é uma opção, é consequência.

A modernidade líquida de Baummann, prioriza o ter ao ser e perde a importância com o outro e o coletivo. Nesse sentindo, tal modernidade não pode tornar refém a nossa empatia perante o outro. A solidão mórbida e silenciosa nos dias atuais, causa um comportamento cada vez mais comum: o desprezo com a situação do outro.

Estamos bitolados, cada vez mais, com as luzes dos aparelhos celulares em nossas caras perdendo a nossa capacidade de coexistência. Viver é uma constante responsabilidade social com o coletivo.

Penso que temos que sair do moralismo e do egoísmo e construir o cuidado conosco e com os outros! Cuidado expresso em relações amorosas de solidariedade e cooperação! Um ombro
amigo pode ser a solução, pode curar a tristeza e a solidão, sentimento e condição básicas da depressão! Remédios são importantes mas não podem jamais substituí-lo!

Nossas vidas e nossos problemas, precisam se conectar aos problemas alheios. Já somos uma grande rede interpendente, precisamos ter a consciência disso.

Daqueles que deixamos para trás, podemos resgatar com a capacidade de amar que há em cada coração.

*Colaborou com o texto, a professora de psicologia da Furb,  Doutora Lorena de Fátima Prim.

*Bibliografia:
Solomon, Andrew. O demônio do meio dia: uma anatomia sobre a depressão.

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